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Ponte aérea

Um Paulistão de luxo e inédito na final da Libertadores da América

Santos massacra o Boca Juniors na Vila Belmiro e vai enfrentar o Palmeiras na grande decisão da competição continental, marcada para o dia 30, no Maracanã. Pela primeira vez, dois times de São paulo decidem o torneio

Publicado em 13 de Janeiro de 2021 às 21:29

Públicado em 

13 jan 2021 às 21:29

Colunista

Santos
O venezuelano Soteldo marcou um golaço na classificação santista à decisão da Libertadores Crédito: Andre Penner/Reuters
Agora quem dá bola é o Santos. Se a última impressão é a que fica, o time que projetou Pelé ao mundo chega favorito à inédita decisão paulista em uma Libertadores. O Alvinegro Praiano simplesmente não tomou conhecimento do Boca Juniors no acachapante 3 a 0 (ficou barato), na Vila Belmiro, e sovou os argentinos. Com os baixinhos Soteldo e Marinho inspirados, o Peixe conseguiu ser ainda mais dominante do que o River Plate fez com o Palmeiras na noite anterior, ainda que o Alviverde tenha avançado à final por ter vencido na ida por 3 a 0. 
Sabe aquele time iluminado, que tudo parece dar certo? Pois é. O Santos resume bem esse jargão futebolístico. O que mais impressiona é a inesgotável capacidade em se reinventar e revelar talentos. Fora de campo um time asfixiado, que chegou a atrasar salários e foi punido pela Fifa em não poder contratar por dívidas não honradas. Receita para dar errado, mas o Peixe encontra na base a solução que precisa.
Já o Palmeiras é o oposto. Com uma das melhores condições financeiras do país e contando com o aporte de uma grande patrocinadora, na figura da torcedora fanática Leila Pereira, o Porco tem há anos uma equipe com bons nomes que não dava liga, muito por  insistir com treinadores errados para os jogadores do elenco. Bastou o português Abel Ferreira chegar para rapidamente fazer este time jogar.
Santos
O venezuelano Soteldo marcou um golaço na classificação santista à decisão da Libertadores Crédito: Andre Penner/Reuters
Ficou o trauma pela derrota e o flerte com a eliminação, mas uma grande equipe sabe assimilar adversidades e transformá-las em motivação. O Palmeiras tem um timaço também e fatalmente não vai se apresentar na decisão como fez no último jogo no Allianz Parque.

EQUILÍBRIO

Mas limitar esta partida que já é histórica ao panorama "base forte x elenco comprado" é superficial demais. Lembro que há uma semana o Palmeiras fez uma partida memorável na Argentina e mostrou que pode jogar muito bem. São propostas de jogo diferentes, porém ambas de alta eficiência. Enquanto o Peixe conta com a individualidade e a energia que vem da garotada, o Palestra possui um time mais homogêneo e taticamente encaixado. Uma final completamente aberta e equilibrada.
O fato triste é que devido à pandemia as torcidas de ambos os arquirrivais não poderão protagonizar uma nova invasão paulista ao Maracanã, como feita pelo Corinthians, no histórico 1 a 1 contra o Fluminense pela semifinal (pré-final) do Brasileiro, no dia 5 de dezembro de 1976. Mais uma coisa é certa: por pelo menos 90 minutos, o "Maior do Mundo" será uma extensão do Estado vizinho, com direito ao "s" arrastado da fala tipicamente carioca dando lugar ao sotaque Paulista. Dia 30 é final da Liberta no Maraca, meu.

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