Um dos principais clássicos do país, o Fla-Flu escreveu na noite de quarta-feira (27) mais uma página lamentável do futebol brasileiro. O jogo que foi válido pela semifinal da Taça Rio e terminou com a vitória do Flamengo por 2 a 1 vai ficar mais marcado pelas lambanças e polêmicas do que pelo futebol apresentado no gramado.
Logo no início, o árbitro de vídeo, VAR, foi solicitado pava validar ou não um gol do Fluminense. Após quatro minutos de angústia e discussão o juiz Marcelo de Lima Henrique decidiu invalidar o gol do Flu e apontar uma falta no lance. Demorou tanto tempo, observou e tomou a decisão equivocada, na minha humilde opinião.
Vale destacar que o árbitro de vídeo é um recurso ótimo e necessário na evolução do esporte, mas está muito claro que os profissionais ainda não estão preparados para essa tecnologia, e a estrutura também está longe do ideal. O juiz, coitado, vai checar a tela que fica muito perto da área dos treinadores dos dois times e dos torcedores. A pressão é absurda e não há o mínimo de privacidade.
Após o polêmico lance no começo da partida, o campo se tornou um ambiente hostil. Jogadores com ânimos exaltados, discussões calorosas e cartões distribuídos para os dois elencos. O primeiro tempo de futebol lamentável e com um juiz sem o controle do jogo terminou em 1 a 0 para o Flamengo. Na segunda etapa, o mesmo roteiro. Nervos à flor da pele e mais um lance discutível. Pênalti! Apitou o VAR após o juiz não ver nada na disputa entre Everaldo e Léo Duarte. Nova decisão equivocada. Empate no placar, alegria do lado tricolor e reclamação no lado rubro-negro. Entre muitos outros lances discutíveis, o jogo seguiu sem qualidade técnica. No fim, mais um pênalti (esse muito bem marcado), que Everton Ribeiro converteu e sacramentou a vitória do Flamengo.
Não posso me esquecer de duas expulsões que revelam o quanto o psicológico do jogador brasileiro fica abalado em momentos decisivos. No fim do primeiro tempo, Bruno Henrique cometeu uma falta criminosa em Gilberto e deixou o Flamengo com um a menos. No fim da segunda etapa, foi a vez de Ganso xingar e peitar um árbitro auxiliar: menos um tricolor em campo. E ainda teve troca de empurrões no túnel após o fim do jogo.
Um clássico que tinha tudo para ser um grande jogo conseguiu apresentar ao público o seguintes ingredientes: jogadores desequilibrados, árbitros despreparados, uso equivocado do VAR e um futebol de baixíssima qualidade. Muito pouco para quem foi ao estádio e para as milhares de pessoas que acompanharam pela TV.