Luan Silva é, certamente, um dos mais ansiosos pela retomada do futebol. A quarentena deu ao atacante o tempo necessário para se recuperar da contusão na coxa esquerda que fez durar só 42 minutos seu único jogo no Palmeiras, contra a Ferroviária, em 9 de março. E as mudanças no retorno das partidas ainda lhe oferecem uma vantagem: serão permitidas cinco substituições, aumentando sua chance de provar que pode ficar em definitivo no clube.
Em entrevista exclusiva ao LANCE!, o jogador de 21 anos falou que, por enquanto, não há conversas para prorrogar seu contrato, apesar da expectativa de a temporada se encerrar apenas em 2021. Luan está emprestado pelo Vitória até dezembro, mas o Verdão aposta tanto nele que comprou 15% dos seus direitos econômicos, por R$ 3 milhões, em março, mesmo com o jogador passando 2019 só em recuperação física no clube e tendo lesão recentemente.
Confira abaixo a conversa com Luan Silva, na qual o jogador também enche o técnico Vanderlei Luxemburgo de elogios e fala como tem sido ir à Academia de Futebol para avaliações sob rígido protocolo de segurança contra COVID-19:E MAIS:Contrato de Gómez acaba nesta terça, mas não preocupaComo é voltar a trabalhar na Academia de Futebol, apesar de ser somente para fazer avaliações físicas?A saudade estava muito grande. O principal era voltar a conviver com os companheiros de clube, funcionários, médicos, fisioterapeutas, comissão técnica, pessoal da limpeza e rouparia. Passamos uma grande parte do nosso tempo com eles. Acaba que nos acostumamos e sentimos muita falta desse ambiente, de muita amizade.
Como é trabalhar em um ambiente sob rígido protocolo de segurança?Sem sombra de dúvidas, é muito diferente. Nunca fui acostumado a andar com máscara. Tenho um pouco a sensação de que ainda não me acostumei a isso, a passar álcool em tudo, não dar aquele abraço, aperto de mão nas pessoas por quem tenho um grande carinho. Com certeza, é muito diferente.
Você estava machucado quando os treinos pararam. Imagino que a ansiedade esteja grande para treinar com bola com o elenco. Como tem lidado com isso?A ansiedade é muito grande. Creio que seja difícil conciliar isso com a realidade, a mente tem que estar bem preparada, porque não é fácil. Amo jogar futebol. Passar cerca de três meses sem jogar mexe muito com tudo: psicológico, corpo... Mas tenho uma cabeça boa e sou resiliente. O futebol irá retornar na hora certa, e irá trazer felicidade novamente para todos.
Já está completamente recuperado da lesão?Sim, completamente recuperado. Fiquei me tratando em casa, treinando firme, ciente de que essa pandemia, uma hora, iria passar e eu teria que estar bem. Fiz algumas atividades com bola, porém não deu para fazer muita coisa por conta do espaço.
O seu contrato vai até o final do ano, mas a temporada deve avançar até os primeiros meses do ano que vem. Já há conversas para prorrogação?Não existe nenhuma conversa sobre prorrogação. Cabe a mim me esforçar muito, lutar pelo meu espaço e honrar a camisa do Palmeiras, aproveitar oportunidades. Meu desejo é ficar, e irei lutar muito por isso.
Quanto te ajuda a mudança na regra que permite cinco substituições?Ajuda bastante. Para quem está no banco, são duas oportunidades a mais. O nosso professor tem mais alternativas e, caso algum companheiro nosso se lesione, existem essas duas substituições que foram acrescentadas. Facilita muita coisa.
A temporada deve ter uma maratona de jogos. Para você, que jogou só uma vez neste ano e pouco no ano passado, isso é bom ou ruim?Com certeza, será muito bom. O que mais quero é jogar, quantos jogos for possível. Provavelmente, terá um revezamento do elenco, pela alta demanda de partidas, e oportunidades irão surgir. Quero estar bem preparado para aproveitar o máximo possível.
O Vanderlei Luxemburgo falou com você individualmente na quarentena?Falou, sim. Perguntou se eu estava recuperado da lesão que tive. É um exemplo de profissional, e vem me ajudando de uma forma incrível. Costumo ter muita gratidão pelas pessoas que me ajudam e, com o professor Luxemburgo, não será diferente. A cada partida que entrar, irei ter sede de vitória, de títulos e de alegria para a torcida palmeirense.
Está pronto para jogar sem torcida?Confesso que será bem diferente. Uso de combustível e motivação o canto da torcida, as palmas, a bateria. Infelizmente, não terá isso, por tempo indefinido. Será bem estranho. Mas estou preparado. Vou dar o meu melhor em qualquer situação. O que mais importa é o Palmeiras vencer, conquistar títulos. E MAIS: