Futuro secretário estadual de Justiça, Luiz Carlos Cruz foi apresentado a Renato Casagrande (PSB) pelo futuro secretário de Planejamento e coordenador da equipe de transição, Álvaro Duboc – como o próprio Duboc confirma. Os dois chegaram juntos, lado a lado, ao QG de Casagrande para o anúncio do novo secretário, na última terça-feira.
Duboc também participou da escolha de outro “reforço de fora” escalado por Casagrande para jogar no primeiro escalão do próximo governo: Roberto Sá, futuro chefe da Segurança Pública.
Em comum, além das idades parecidas, Sá (53) e Cruz (54) têm a origem geográfica e profissional: ambos são delegados federais da ativa, com currículo construído principalmente no Rio de Janeiro. Ao lado do próprio Duboc – também delegado federal, mas aposentado –, constituem a “República da Polícia Federal” que se estabelecerá no Espírito Santo a partir de 2019. Especificamente, dentro do governo Casagrande.
Tendo em conta que Duboc coordenará o programa Estado Presente, carro-chefe de Casagrande na área, os três formarão praticamente um braço da Polícia Federal (PF) dentro da alta cúpula da segurança pública estadual. Quase uma extensão da instituição de origem do trio. Obviamente, isso não é casual.
Além de pegar emprestado o prestígio de que desfruta a PF atualmente – uma das poucas instituições que se salva diante da opinião pública –, sobretudo por causa da Lava Jato, Casagrande espera assim ampliar a integração entre as polícias subordinadas ao Estado (a Civil e a Militar) e a própria Polícia Federal:
“Ter o suporte da PF conosco e a retaguarda da PF é muito importante para nós e nos dá segurança numa área do sistema de Justiça que precisamos conduzir com muito equilíbrio. Teremos um trabalho muito integrado das corporações policiais: da Federal, da Civil, da Militar... E a presença de líderes da PF aqui em diversas funções vai permitir que possamos ter, além das nossas polícias, a PF nos dando total retaguarda no enfrentamento à criminalidade.”
Mas a presença de dois colegas de corporação na futura cúpula da segurança revela outra nuance: presente ao lado de Casagrande em todas as coletivas de imprensa, Duboc mais e mais vai mostrando a grande influência que exercerá no próximo governo, manifestada desde a escolha dos nomes para o alto escalão. “Avalizei a escolha do governador”, confirma ele, sobre a indicação de Cruz. “Falamos de outros profissionais. Depois de entrevistas e de um processo seletivo, o governador optou por Luiz Carlos.”
“Em razão dessa situação que estamos vivendo [de superlotação dos presídios], precisávamos de uma pessoa com capacidade de gestão, de planejamento e, sobretudo, de articulação com os demais Poderes. O sistema prisional é estratégico para a efetividade das políticas de segurança pública, e precisamos ter diálogo com toda a cadeia do sistema penal”, argumenta Duboc, que atribui a Cruz o “perfil de gestor e operacional”.
O futuro secretário de Justiça ecoa as palavras do colega e “padrinho” (ou avalista): “Minha marca é fazer uma gestão compartilhada entre as instituições”.
Duboc lembra que os quadros da PF têm contribuído corriqueiramente com a gestão estadual, do governo anterior de Casagrande (com ele mesmo e Eugênio Ricas no secretariado) ao atual (com Ricas, depois Walace Pontes e Marcos Pugnal). É verdade. Mas essa República da Federal é algo inédito.
Ainda direitos humanos
Casagrande defende orientação sobre direitos humanos aos policiais que já estão nas ruas, incluindo as formas de abordagem, e a transmissão desse conteúdo nos futuros cursos de formação de policiais militares do Espírito Santo.
Ainda presídios
Álvaro Duboc critica o crescimento do déficit de vagas no sistema prisional ao longo do atual governo. Segundo ele, ao fim de 2014, havia 13,8 mil vagas no sistema, para 15,2 mil presos. Hoje, há as mesmas 13,8 mil vagas, mas 22 mil detentos. “De lá para cá, a gestão não se mostrou eficiente. Isso é um problema. Quando há superlotação, você perde o controle sobre o sistema.”
Duboc se refere à possível infiltração de agentes do PCC e de outras facções criminosas nas prisões locais. A preocupação é partilhada por Casagrande e por Luiz Carlos Cruz. “Sempre é uma preocupação. Tem que ser monitorado constantemente. O trabalho de inteligência é fundamental”, afirma o último.
Contato direto
Nara Borgo atualmente é secretária de Cidadania e Direitos Humanos de Vitória. Mas o convite a ela foi feito diretamente por Casagrande, sem a mediação do prefeito Luciano Rezende. Com Tyago Hoffmann e Davi Diniz, é o terceiro secretário ou ex-secretário que Casagrande “rouba” do aliado. Lenise Loureiro deverá ser a quarta.
Transparência Capixaba
A Transparência Capixaba esclarece que o futuro secretário estadual da Fazenda, Rogelio Pegoretti (PSB), é membro licenciado da ONG, na qual ingressou em 2015.
Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.