Educação não se faz somente com mais dinheiro. As provas mais contundentes de que essa afirmação é verdadeira podemos encontrá-las no Brasil e também no Espírito Santo. Outros fatores podem entrar com maior peso e força na determinação da qualidade da educação. Seguramente é por conta desses fatores que o país continua patinando na educação. Definitivamente não por falta de dinheiro.
No Espírito Santo, onde avanços já são palpáveis nos indicadores de qualidade, embora ainda não a contento, das dez prefeituras com maiores gastos por aluno/ano, apenas uma delas alcançou bom desempenho no Ideb. Trata-se de Marilândia, segundo matéria veiculada em A GAZETA no dia 7 de setembro. Por outro lado, vamos encontrar os melhores desempenhos naqueles municípios mais comedidos nos seus gastos com educação, como Mantenópolis, nos anos iniciais do ensino fundamental, e Domingos Martins, nos anos finais.
No Espírito Santo, onde avanços já são palpáveis nos indicadores de qualidade, embora ainda não a contento, das dez prefeituras com maiores gastos por aluno/ano, apenas uma delas alcançou bom desempenho no Ideb
Os últimos resultados obtidos nas avaliações da educação no Brasil - Prova Brasil e Ideb -, são preocupantes, para não dizer desastrosos, tendo em vista a preparação das nossas crianças e jovens para um futuro cada vez mais exigente em conhecimentos e habilidades para lidar com as transformações e o “novo”. Alguém com um olhar lá do exterior poderia deduzir e até concluir que isso acontece no Brasil porque gastamos pouco com educação. Antes fosse!
Mesmo assim, para nós internos, sempre fica a indagação: o Brasil gasta muito ou pouco com a educação? Na verdade, se compararmos com outros países, a maioria deles, vamos ver que gastamos muito em termos relativos e também absolutos. Cerca de 80% de todos os países do planeta apresentam gastos com educação, relativamente aos respectivos PIBs, menores do que o Brasil. E a maioria deles com resultados melhores do que os nossos.
No Brasil, gasta-se com a função educação o equivalente a 6% de toda a riqueza produzida anualmente. Para avaliarmos se esse número é alto ou baixo, é importante compará-lo com outros países. A média de gastos da OCDE, ou seja, dos países mais desenvolvidos, é de 5,5%. Vejamos outros, os mais próximos: Argentina (5,3%), Colômbia (4,3%), Chile (4,8%). Todos eles com melhores desempenhos. Nos Estados Unidos, o percentual é de 5,4%. Até a Coreia do Sul gasta proporcionalmente menos com educação do que o Brasil. E imaginar que a Coreia do Sul posicionava-se atrás do Brasil em desenvolvimento na década de 1970. Hoje, faz parte do seleto grupo dos países desenvolvidos, graças à educação.
Onde, então, poderiam ser encontradas as causas do nosso “desastre”? As respostas parecem estar concentradas em dois grandes campos de desafios: da gestão e de novos processos educacionais. E é onde devemos concentrar nossa política educacional.