Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Especial Publicitário

Autismo: pais e irmãos têm papel decisivo no tratamento da criança

Quanto mais envolvida a família estiver nesse processo, maiores as chances de desenvolvimento do autista

Publicado em 24 de Setembro de 2021 às 17:12

Estúdio Gazeta

Publicado em 

24 set 2021 às 17:12
Uma família bem orientada conseguirá lidar melhor tanto com o diagnóstico quanto com a necessidade de intervenções.
Uma família bem orientada conseguirá lidar melhor tanto com o diagnóstico quanto com a necessidade de intervenções. Crédito: Pixabay
Quando uma família descobre que a criança é autista, aos poucos vai se dando conta de que terá que passar por uma nova organização, para então começar uma outra dinâmica, com um outro funcionamento a partir dali.
Mas mais do que aceitar bem o novo contexto, os pais, sobretudo, deverão estar prontos para encarar um papel que será decisivo e fundamental no desenvolvimento do seu filho.
E quanto mais rápido eles se conectarem com essa realidade, mais envolvidos e ativos estarão desde o início do processo, como frisa a psiquiatra Fernanda Mappa, que atua na Green House Psiquiatria, um grupo privado com unidades em Guarapari e Fundão. "Mais importante que aceitar qualquer nome, qualquer diagnóstico, é preciso que a família comece as intervenções necessárias, que são essenciais e trarão com maior facilidade as aquisições dos marcos do desenvolvimento em atraso. As intervenções precisam vir antes da aceitação da família em relação a qualquer diagnóstico, já que a criança não tem tempo de esperar."
Uma família bem orientada, diz Fernanda, conseguirá lidar melhor tanto com o diagnóstico quanto com a necessidade de intervenções. "Quanto antes for feito o diagnóstico e forem identificados os atrasos na criança, melhor para aproveitar o que chamamos de 'janela de oportunidades', promovida pela plasticidade cerebral, que é a capacidade dos neurônios se transformarem e se reorganizarem de acordo com os diferentes estímulos."
Segundo a psiquiatra, a intervenção precoce gera ganhos significativos e duradouros no desenvolvimento da criança autista. "Se adiarmos demais a aceitação e o início das intervenções, reduzimos a possibilidade de ganhos motores e socioemocionais."

PAIS SÃO PROTAGONISTAS NO TRATAMENTO

Por isso, a família deve ser colocada sempre como protagonista no tratamento, já que é ela quem precisará lidar com a criança na maior parte do tempo e nos diferentes ambientes por onde ela vai circular.
Bárbara Rampom, coordenadora do Protea Neurodesenvovimento, centro especializado da Green House, afirma que pesquisas já constataram que o tratamento do autismo é mais eficiente se a família está integrada e participando ativamente desse processo. "É muito importante que os pais saibam o que está sendo aplicado, que entendam e aceitem todo o processo. É muito complicado quando os pais não participam, não dão continuidade ao tratamento em casa e em outros ambientes naturais da criança."
Segundo a psiquiatra Fernanda Mappa, a intervenção precoce gera ganhos significativos e duradouros no desenvolvimento da criança autista.
Segundo a psiquiatra Fernanda Mappa, a intervenção precoce gera ganhos significativos e duradouros no desenvolvimento da criança autista. Crédito: Green House/Divulgação
Não só os pais devem participar do tratamento, como também todos os demais familiares, de acordo com a coordenadora: "Avós, tios... Todos precisam participar! Assim, a criança vai se sentir mais acolhida, mais preparada."
A família, complementa Bárbara, precisa ser a primeira a aceitar. "Não adianta reclamar de preconceito lá fora se ele está dentro de casa."

A PARTE LÚDICA

Vencida essa primeira barreira, da aceitação e do início das primeiras intervenções na criança autista, é hora de encarar as atividades que vão ajudá-la a estar mais bem preparada para o que está por vir nos próximos anos.
De acordo com as especialistas, crianças com autismo costumam apresentar uma menor orientação social, tendendo a observar menos os adultos, suas expressões corporais e faciais. Um quadro que dificulta o aprendizado, a comunicação.
Por isso, os pais e cuidadores precisam saber como promover a interação social na maior parte do tempo e na maioria dos lugares onde o autista estará.
"As crianças com autismo apresentam ou desenvolvem uma maneira peculiar de brincar. Frequentemente, têm dificuldade em dar função correta ou variações aos brinquedos e perdem o interesse com facilidade pelas atividades, principalmente as que envolvem outras crianças. Daí a importância de uma rotina de brincadeiras que possam estimular o contato social e o cumprimento de regras, que possam incitar a fala, estabelecer o contato visual, aumentar o repertório de jogos, a reciprocidade", explica a psiquiatra Fernanda Mappa.
Bárbara Rampom afirma que pesquisas já constataram que o tratamento do autismo é mais eficiente se a família está integrada e participando ativamente desse processo.
Bárbara Rampom afirma que pesquisas já constataram que o tratamento do autismo é mais eficiente se a família está integrada e participando ativamente desse processo. Crédito: Green House/Divulgação
Para cada idade, aponta ela, há um tipo de brincadeira diferente. "Mas se engana quem acha que o 'brincar' requer brinquedos caros. Os melhores e até mesmo mais adequados podem ser feitos com materiais recicláveis, como uma caixa de papelão ou caixa de sapato, o bom e velho avião de papel, bolinha de sabão", cita.
Bárbara concorda: "Mais do que usar tecnologia, vale brincar de panelinha, de esconde-esconde, de fazer cócegas. Se ela for maior, usar jogos de tabuleiro, chamar toda a família para jogar. São momentos importantes, na verdade, para qualquer criança. Mas são especialmente importantes para o autista porque estimulam o contato visual, a sociabilidade."

A IMPORTÂNCIA DO IRMÃO

Há muitos casos em que a criança teve melhora nos sintomas do autismo com a chegada do irmão. "Esse irmão pode participar das sessões de terapia! Em casa, eles brincam juntos. E a criança com autismo vai querer imitá-lo, vai aceitar compartilhar brinquedos e aceitar melhor a presença de outra criança nos espaços. Os pais devem estimular essa relação, ajudar na proximidade entre as crianças", ressalta Bárbara Rampom.
É verdade que um filho com autismo demanda cuidados especiais e muitas intervenções, trazendo alterações significativas na dinâmica da família que, muitas vezes, se vê obrigada a mudar de cidade para ficar mais próxima de centros de tratamentos, além de precisar reformular a vida financeira do casal, pois é comum um membro do casal precisar sair do emprego, por exemplo, para se dedicar à criança.
"Com tantas mudanças e até perda de renda familiar, o papel dos irmãos se mostra fundamental, tanto como rede de apoio para os pais, que se sentem sobrecarregados, como também para a promoção de habilidades sociais", afirma Fernanda Mappa.
As interações entre irmãos, diz a psiquiatra da Green House, desempenha um papel importante na vida social de uma criança com autismo, sendo particularmente importante no desenvolvimento de habilidades sociais.
"Estudos observacionais mostram que o irmão mais velho desempenha papel de modelo e professor para a criança mais nova. A interação da criança com autismo com seus irmãos mostra-se tanto em frequência quanto em qualidade de interação mais efetiva quando comparada com interações com pares não irmãos. Nada se compara à relação entre irmãos. Os pais devem focar a atenção nas tentativas de brincar de seus filhos, fornecendo modelos para o irmão copiar. Muitas oportunidades podem advir dessa relação", observa ela.
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Homem é detido após roubar carro em Cidade Continental, na Serra
Suspeito de roubar carro capota durante fuga e é detido na Serra
Sede da Apex Partners na Praia do Suá, Vitória.
Caso Apex: investidores tentam impedir que imóvel seja incluído em recuperação judicial
Irmãos de Vitória são presos por tráfico de drogas em Presidente Kennedy
Drone ajuda na prisão de irmãos por tráfico em Presidente Kennedy

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados