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Além das eleições: a importância dos pactos pelo futuro

Nas últimas décadas, o Espírito Santo buscou fomentar cultura de planejamento baseada em metas, indicadores e mecanismos permanentes de acompanhamento, visando estabilidade e desenvolvimento em diversos setores

Publicado em 31 de Julho de 2026 às 17:14

ES em Ação

Publicado em 

31 jul 2026 às 17:14
Artigo - Fernando Saliba
A manutenção de boas políticas públicas ao longo de sucesivos governos é um fator determinante para o desenvolvimento do Estado. ES em Ação/Divulgação

*Por Fernando Saliba, diretor-presidente do ES em Ação

A democracia se fortalece a cada eleição. É por meio delas que a sociedade avalia seus representantes, renova prioridades e define novos rumos para a administração pública. Mas os países que alcançaram níveis elevados de desenvolvimento compartilham uma característica importante: a capacidade de preservar, ao longo de seguidas eleições e sucessivos governos, as políticas públicas que demonstraram produzir resultados.


Sabemos que os grandes desafios de uma sociedade não se resolvem em um único mandato. Melhorar a educação, ampliar a competitividade econômica, modernizar a infraestrutura, fortalecer a segurança pública e enfrentar as mudanças climáticas são objetivos que exigem décadas de muito trabalho, capacidade de planejamento e continuidade institucional.


A experiência internacional mostra isso com clareza. A Coreia do Sul e a Finlândia são referências de países que transformaram seus sistemas educacionais ao longo de décadas. Em comum, eles preservaram políticas de longo prazo voltadas à valorização dos professores, à qualidade da educação e ao aperfeiçoamento contínuo de seus sistemas de ensino. 


Na agenda ambiental, a Alemanha vem conduzindo há mais de duas décadas a sua transição energética, ajustando prioridades conforme as mudanças de governo, mas preservando o compromisso de longo prazo com a expansão das energias renováveis e a redução das emissões. Algo semelhante ocorre no Reino Unido: com a aprovação da Lei de Mudanças Climáticas, em 2008, o país estabeleceu metas de Estado que continuaram orientando governos de diferentes partidos. Há inúmeros exemplos históricos.


Para alcançar êxito em políticas de Estado, que atravessam diversos governos, democracias maduras procuram construir consensos mínimos em torno de agendas consideradas estratégicas para o desenvolvimento no longo prazo. Esses consensos estabelecem um horizonte comum para a ação pública, preservando objetivos ao longo dos anos, enquanto diferentes projetos políticos disputam, legitimamente, a forma de alcançá-los.


O exemplo mais evidente da descontinuidade de políticas públicas são obras paralisadas. No Brasil, recente levantamento do Tribunal de Contas da União – TCU mostrou que, no acompanhamento de 22 mil obras no país, nada menos que 11 mil estão paralisadas, sendo que cerca de 70% são justamente nas áreas de educação e saúde, incluindo creches, unidades básicas de saúde e quadras esportivas.


Esse é um aspecto visível e de certa forma mensurável da descontinuidade: o TCU calcula que o país já investiu R$ 15,9 bilhões em empreendimentos que não chegaram ao fim. Mas essa é a ponta do iceberg: a descontinuidade em políticas públicas em geral, seja na educação, na saúde ou na infraestrutura, tem um impacto incalculável no desenvolvimento de uma nação.


Na busca pela continuidade das políticas de Estado, contudo, a sociedade civil organizada exerce um papel cada vez mais relevante. Ao reunir empresários, universidades, organizações sociais, especialistas e lideranças de diferentes áreas, ela contribui para formular propostas, acompanhar resultados e estimular o diálogo entre diferentes atores políticos e institucionais. Funciona como um espaço permanente de construção coletiva, capaz de atravessar ciclos eleitorais, preservando uma visão de longo prazo.


Essa tem sido uma das principais contribuições do Espírito Santo ao debate nacional sobre desenvolvimento. Ao longo das últimas duas décadas, diferentes governos, organizações da sociedade civil e instituições públicas conseguiram construir um ambiente de cooperação que tornou possível dar continuidade a projetos estruturantes para o Estado.


Os planos ES 2025, depois o ES 2030 e, mais recentemente, o ES 500 Anos representam essa evolução. Elaborados com ampla participação da sociedade, esses instrumentos ajudaram a consolidar uma cultura de planejamento baseada em metas, indicadores e mecanismos permanentes de acompanhamento. Mais do que documentos técnicos, eles se tornaram referências para decisões que ultrapassam mandatos e governos.


Nesse ambiente, organizações como o ES em Ação exercem uma função que vai além da representação de setores específicos. Sua contribuição está na capacidade de aproximar diferentes lideranças, estimular o diálogo e criar condições para que agendas estruturantes continuem sendo aperfeiçoadas, independentemente das mudanças políticas decorrentes das eleições.


Naturalmente, políticas públicas devem ser avaliadas de acordo com os resultados e revisadas e adaptadas às transformações da sociedade. A continuidade não significa imobilismo: significa preservar aquilo que produz resultados e aperfeiçoá-lo à luz de novas evidências, novos desafios e oportunidades.


À medida que nos aproximamos de mais um processo eleitoral, é importante lembrar que o verdadeiro legado das democracias não está apenas na capacidade de escolher governos, mas também na capacidade de construir compromissos coletivos que resistam ao tempo. O desenvolvimento de longo prazo depende justamente dessa combinação entre alternância democrática, instituições sólidas e uma sociedade civil capaz de manter vivo o diálogo sobre o futuro.


*Este conteúdo é de responsabilidade do anunciante ES em Ação. O artigo foi produzido pelo autor convidado Fernando Saliba, diretor-presidente do ES em Ação.
Fernando Saliba
Fernando Saliba, diretor-presidente do ES em Ação.  ES em Ação/Divulgação

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