A mochila com R$ 33 mil em dinheiro apreendida durante uma operação do Ministério Público do Espírito Santo, na noite desta quarta-feira (9), em Presidente Kennedy, estava na casa da prefeita da cidade, Amanda Quinta (PSDB), e foi levada pelo empresário Marcelo Marcondes, que é acusado de pagar propina para agentes públicos do município.
De acordo com investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o dinheiro seria entregue ao companheiro da prefeita, José Augusto de Paiva. Ele é acusado de liderar uma organização criminosa que superfatura contratos e frauda licitações na cidade do Sul do Estado. José Augusto Soares, a prefeita Amanda Quinta e outras cinco pessoas foram presas no início da noite de quarta-feira, durante uma operação que investiga as possíveis fraudes da quadrilha.
O promotor de justiça Vitor Anhoque Cavalcanti, membro do Gaeco, afirmou que as investigações começaram no final de 2017. A primeira parte da operação foi focada em contratos das prefeituras de Presidente Kennedy e Marataízes com a empresa Limpeza Urbana LTDA. Os investigadores afirmam que os contratos superfaturados foram firmados a partir de 2014.
Além de companheiro, José Augusto de Paiva também é chefe de gabinete da prefeita Amanda Quinta e foi apontado como o organizador das fraudes. O Ministério Público afirma que os empresários Marcelo Marcondes e José Carlos Marcondes, saíam do Rio de Janeiro e vinham ao Espírito Santo uma vez por mês para fazer pagamentos a José Augusto de Paiva.
A operação desta quarta-feira aconteceu no momento em que os investigadores monitoravam o terceiro encontro entre os membros do grupo. O primeiro monitoramento foi em novembro do ano passado e o segunda no último mês de abril.
Amanda está no Centro de Detenção Provisória de Cachoeiro de Itapemirim e deve passar por audiência de custódia nesta sexta-feira (10). Mesmo que seja liberada do sistema prisional, a prefeita está afastada da prefeitura por 60 dias. Os secretários de Assistência Social e de Obras também foram afastados de suas funções. Todos estão proibidos de ter acesso às dependências da prefeitura para não atrapalhar as investigações.
SETE PESSOAS PRESAS DURANTE A OPERAÇÃO
Os investigadores afirmam que foram cumpridos cinco mandatos de prisão temporária durante a operação e outras duas pessoas que já eram investigadas foram presas em flagrante. Os mandatos de prisão, com duração de cinco dias e prorrogáveis por mais cinco foram para as seguintes pessoas:
- José Augusto Paiva (companheiro da prefeita e suposto organizador do grupo criminoso)
- Marcelo Marcondes (dono de empresa de limpeza, acusado de pagar propina)
- José Carlos Marcondes (dono de empresa de limpeza, acusado de pagar propina)
- Cristiano Graça Souto (motorista dos empresários e apontado como sócio laranja da empresa de limpeza)
- Isaías Pacheco do Espírito Santo (contador da empresa de limpeza).
A prefeita Amanda Quinta e o secretário de Ação Social da cidade, Leandro Costa Rainha, foram presos em flagrante porque estavam participando da reunião e eram investigados por possível participação no esquema.