O problema é evidente: quem frequenta a Praia de Camburi convive diariamente com os dejetos que chegam pelo Córrego Camburi, que passa entre os limites dos municípios da Serra e de Vitória. A sujeira se acumula, e o região é imprópria para banho há anos. No entanto, em vez e arregaçarem as mangas, as prefeituras das duas cidades resolveram entrar num constrangedor jogo de empurra-empurra.
A situação já seria embaraçosa o suficiente se as administrações se eximissem de toda e qualquer culpa na poluição. Mas não é bem isso que acontece. Ambas reconhecem serem parte do problema.
O subsecretário de Meio Ambiente de Vitória, Paulo Barbosa, admite que há moradores de Jardim Camburi que não estão ligados à rede de esgoto. “Essa contribuição (para o lançamento de dejetos) existe”, são suas palavras. No outro lado da divisa, o secretário de Meio Ambiente em exercício da Serra, Ronaldo Freira Andrade, diz que pode garantir que o esgoto que chega à Praia de Camburi não vem do município. Mas logo em seguida assume que alguns moradores de seis bairros da região não estão ligados à rede.
Parece contraditório. E é. As prefeituras parecem interessadas em minimizar sua parcela de responsabilidade, como se, por serem menos poluentes que a vizinha, pudessem livrar-se da incumbência com a limpeza. Bem, a estratégia não está funcionando. Aos olhos da população, o jogo de empurra faz ambas as administrações parecerem culpadas até que se prove o contrário. Enquanto isso, a Cesan se limita a dizer que não se trata de esgoto, mas de água da chuva. É preciso uma ação firme do Iema para apurar as causas, apontar seus autores e acabar de vez com essa insensatez.