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Operação Circus Maximus

Quem é e o que pesa contra Vasco Cunha Gonçalves

Indicado para a presidência do Banestes, ele presidiu o Banco de Brasília entre 2015 e 2018. Segundo o MPF, pediu propina para liberar recursos
Vinícius Valfré

Publicado em 

29 jan 2019 às 21:44

Publicado em 29 de Janeiro de 2019 às 21:44

Vasco Cunha Gonçalves é presidente do BRB e será o futuro presidente do Banestes Crédito: Gabriel Jabur/Agência Brasília
Alvo da Operação Circus Maximus, que investiga fraudes no Banco de Brasília (BRB), Vasco Cunha Gonçalves tem 49 anos e atua na instituição desde os 23. Ele havia tomado posse como presidente do Banestes na segunda-feira (28) e, por conta da prisão, renunciou nesta terça. O Banestes não está na mira da força-tarefa do Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPF/DF).
Ele e o governador Renato Casagrande (PSB) conviveram mais proximamente a partir de 2015, quando Vasco assumiu o comando do BRB e o socialista foi convidado para o Conselho de Administração.
Antes de chegar à presidência do BRB, Vasco Gonçalves exerceu várias funções no banco. Foi diretor do Fundo de Pensão, gerente da Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliares (BRB DTVM), superintendente Financeiro, de Governo e de Recuperação de Crédito. O cargo anterior à presidência foi o de superintendente de Controladoria.
É graduado em Administração, com habilitação em Comércio Exterior. Fez pós-gradução em Finanças no Ibmec. Ambos os cursos, segundo informações do BRB, foram custeados com benefícios oferecidos a empregados do banco.
INVESTIGADO
O Ministério Público Federal do Distrito Federal mapeou a participação de cada um dos investigados no esquema suspeito do BRB. De acordo com informações do órgão, Vasco Gonçalves chegou à presidência pelas mãos de Ricardo Luiz Teixeira Leal, apontado como o líder do esquema criminoso.
A investigação aponta que diretores do BRB pediam propina para liberar recursos do banco, ou de instituições administradas por ele, para Fundos ou empreendimentos. Para o MPF, a "prisão (de Vasco Gonçalves) é essencial para desbaratar a estrutura criminosa, de alcance ainda desconhecido".
Também conforme a investigação, Vasco assumiu "posição de liderança na parte administrativa do esquema criminoso" com a chegada de Ricardo Leal ao Conselho de Administração do BRB.
Em pelo menos três ocasiões, atuou diretamente no pedido de propina, segundo o MPF.
Os indícios indicam a atuação de Vasco e do vice-presidente do BRB, Nilban de Melo Júnior, em irregularidades para liberação de recursos ao FIP LSH, um Fundo que tinha como um dos projetos a construção do Trump Hotel Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Pretendia-se um financiamento de R$ 50 milhões para o empreendimento.
Em colaboração premiada, o delator Ricardo Rodrigues, um dos sócios do Fundo, afirmou que, em setembro de 2015, ele enfrentava dificuldades para conseguir recursos para a obra do hotel. Convidou, então, Vasco Gonçalves e Nilban Júnior para um camarote do Rock in Rio daquele ano.
"A própria atração, cujo custo para acesso ao camarote VIP certamente possui valor econômico acima de qualquer patamar que possa ser considerado um valor irrelevante, constitui vantagem indevida", frisa o MPF.
No dia seguinte ao evento, o trio se reuniu no canteiro de obras do hotel, conforme o MPF. O gestor do Fundo reforçou que seria necessário um empréstimo-ponte de R$ 20 milhões, uma espécie de antecipação do financiamento dos R$ 50 milhões. Nesse momento, de acordo com a força-tarefa, começaram os pedidos de vantagens indevidas.
Em outubro de 2015, foi a vez de Ricardo Rodrigues ir ao gabinete de Vasco Gonçalves, na sede do banco, no Distrito Federal, para tratar do empréstimo-ponte. Nessa reunião, segundo o delator, foram entregues R$ 60 mil a Nilban, em notas de R$ 100. Vasco estava presente.
"É deveras grave que o presidente de uma instituição financeira pública tenha tratado diretamente o pagamento de propinas", frisaram os procuradores.
Ainda nas instalações inacabadas do hotel, segundo narra o MPF, Vasco e Nilban mostraram-se insatisfeitos com as partilhas de propinas que já eram feitas por Ricardo Rodrigues, junto a Ricardo Leal.
"(Vasco e Nilban afirmaram que) conseguiriam o aporte do valor total R$ 50 milhões por meio da emissão de debêntures que seriam adquiridas por fundos administrados pelo BRB (...) Por isso, os funcionários públicos investigados requisitaram R$ 600 mil em propina", sustenta o órgão ministerial.
A vantagem indevida, de acordo com o MPF, foi gerada por meio de notas fiscais falsas e laranjas. Outros servidores do banco, mais tarde, pediram novos valores indevidos. 
Durante toda esta terça-feira, a reportagem do Gazeta Online tentou contato com os advogados de Vasco Gonçalves, sem sucesso. 

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