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Prisão de suspeito de hackear celulares de autoridades surpreende família

Natural de Araraquara (SP), Gustavo Elias Santos, 28, tocava em festas na cidade

Publicado em 24 de Julho de 2019 às 09:28

Publicado em 

24 jul 2019 às 09:28
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Um dos presos sob suspeita de ter hackeado celulares de autoridades, Gustavo Henrique Elias Santos, 28, morador de Araraquara (SP), trabalhava como DJ na cidade e já respondeu a processo sob acusação de porte ilegal de arma. A prisão de Santos surpreendeu sua família, que diz acreditar em um erro da investigação.
“Estou chocada, estou tremendo, tenho certeza que meu filho não está envolvido nisso, não. Eu acho que foi um erro tamanho”, disse à Folha de S.Paulo na noite desta terça (23) a mãe do DJ, Marta Elias Santos. “Eu desconheço [o suposto envolvimento], não passa na minha cabeça uma coisa dessa.”
Santos é um dos quatro presos temporariamente pela Polícia Federal por suspeita de ter atacado celulares de autoridades como o ex-juiz e ministro da Justiça, Sergio Moro, e o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato em Curitiba.
Foram presos três homens e uma mulher nas cidades de Araraquara, São Paulo e Ribeirão Preto (SP). Além de Santos, um outro suspeito também é de Araraquara. A reportagem não conseguiu confirmar, até o momento, os nomes dos demais investigados.
O advogado de Santos, Ariovaldo Moreira, disse que conhece o rapaz há anos e nunca soube de envolvimento dele com atividades de hackers.
A reportagem apurou que a PF chegou aos suspeitos por meio da perícia criminal federal, que conseguiu rastrear os sinais dos ataques aos telefones. Para investigadores, o grau de capacidade técnica dos hackers não era alto.
A investigação, segundo a reportagem apurou, não estabelece com exatidão se o grupo investigado em São Paulo tem ligação com o pacote de mensagens dos procuradores da Lava Jato obtido e divulgado pelo site The Intercept Brasil.
O advogado de Santos disse duvidar dessa relação. “Eu, particularmente, não acredito, pelo que conheço meu cliente, que ele esteja envolvido nessa questão daquelas mensagens do ministro com o procurador”, afirmou Moreira.
Ele já atuou como defensor de Santos em outro processo anteriormente, pelo qual o DJ respondeu por porte ilegal de arma. Segundo o site do Tribunal de Justiça de São Paulo, Santos foi condenado naquele caso a pagar multa e a prestar serviços à comunidade.
As ordens de prisão foram expedidas pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal em Brasília. O delegado da PF à frente do caso é Luís Flávio Zampronha, que em 2005 e 2006 presidiu o inquérito policial que apurou o escândalo do mensalão.
O inquérito foi aberto em Brasília para apurar, inicialmente, ataque aos aparelhos de Moro, do juiz federal Abel Gomes, relator da Lava Jato no TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região), do juiz federal Flávio Lucas, que atua no Rio, e dos delegados Rafael Fernandes e Flávio Reis, da PF em São Paulo.
Segundo investigadores, a apuração mostrou que o celular de Deltan Dallagnol também foi alvo do grupo. O caso de autoridades da Lava Jato em Curitiba está sendo tratado em inquérito aberto pela Polícia Federal no Paraná.

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