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Crise na Serra

Presidente da Câmara nega interferência, mas defende Marcos Madureira

Rodrigo Caldeira afirmou que político veterano não exerce qualquer influência na rotina do Legislativo da Serra

Publicado em 04 de Abril de 2019 às 22:42

Vinícius Valfré

Publicado em 

04 abr 2019 às 22:42
Rodrigo Caldeira é presidente da Câmara da Serra Crédito: Carlos Alberto Silva
O presidente da Câmara da Serra, Rodrigo Caldeira (Rede), confirmou, nesta quinta-feira (04), que apoiou o ex-deputado estadual e conselheiro aposentado do Tribunal de Contas do Estado Marcos Madureira na disputa pela Assembleia Legislativa em 2018. O vereador disse, ainda, que o veterano político é "íntegro e respeitado", mas não exerce qualquer influência na rotina do Legislativo.
Como o Gazeta Online publicou, uma corrente na Serra atribui as recentes ações de um grupo de vereadores contra o prefeito à influência, nos bastidores, de Marcos Madureira. Para Rodrigo Caldeira, essa teoria não passa de esforço de pessoas ligadas ao prefeito para "tirar o foco das fiscalizações" que o Legislativo pretende contra o Executivo: "Usam ele (Madureira) para tirar o foco".
Caldeira também confirmou um encontro com Madureira, na última terça-feira, quando o prefeito Audifax Barcelos (Rede) convocou a imprensa para dizer que o "crime organizado" tem influenciado a Câmara. A reunião, no entanto, teria sido casual, durante visita ao vereador Luiz Carlos Moreira (MDB), que está em licença médica.
"O Madureira eu apoiei e outros vereadores também apoiaram. Em todas as candidaturas os vereadores apoiam alguém. Eu conversei com ele, gostei dos projetos e apoiei. Só que nem vi ele na campanha. Só vi no dia que fui visitar o Moreira, há dois dias. É um homem íntegro, respeitado e onde passou deixou a marca dele. Não teve sujeira, não teve processo. É homem íntegro", declarou.
Os bastidores também apontam que um advogado ligado a Madureira atua informalmente na Procuradoria da Câmara, o que Caldeira também rechaça. "Se precisarmos dele, vamos contratar (o advogado). Mas aqui temos procurador-geral sério. Quanto a serem amigos, isso não impede ninguém", disse o presidente.
Em fevereiro de 2012, a Justiça anulou a nomeação de Madureira para o cargo de conselheiro do TCES por falta de idoneidade moral e reputação ilibada, requisitos constitucionais para o preenchimento da vaga. Afastado do cargo, ele aposentou-se no ano seguinte.
Madureira era próximo de José Carlos Gratz. A dupla, com o também conselheiro aposentado Valci Ferreira, reuniu grande poder político no Estado, na década de 1990, no período que ficou conhecido como Era Gratz.
Apesar de não ter sido apontado como ator da crise serrana, lembrado apenas como um antigo aliado de Madureira e amigo de pessoas próximas a Caldeira, Gratz entrou em contato com o Gazeta Online e frisou não saber nem onde fica a sede do Legislativo serrano. Também afirmou não mais ser mais político nem ter qualquer conhecimento ou interesse nas articulações travadas na Serra.
Desde quarta-feira, a reportagem tenta contato com Marcos Madureira, por meio de interlocutores, mas ele não deu retorno.

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