A Polícia Federal (PF) ouviu, na última terça-feira (6), os vereadores Ilona Açucena (PT) e Sérgio Camilo (União), da Câmara de Cariacica. Deputada estadual recém-eleita, Açucena denunciou Camilo por violência política de gênero, que teria ocorrido durante sessões plenárias da Casa de Leis.
O depoimento dos vereadores é parte de um procedimento instaurado pela PF por solicitação do Ministério Público Eleitoral e visa a apurar a denúncia de que Sérgio Camilo, ao longo de 2025, teria direcionado ofensas à colega de Legislativo.
Conforme os relatos da parlamentar, nesse período, o vereador teria feito falas em que classificou Açucena como "vereadora da bandeira vermelha", "incompetente" e “não preparada para a altivez do cargo". Em outros momentos, o vereador teria mandado a parlamentar calar a boca.
De acordo com as investigações, em sessão realizada no final de 2025, Sérgio Camilo teria afirmado que a vereadora não estava em plenário porque havia ido ao banheiro, pois estava menstruada.
Em conversa com a reportagem na tarde desta quinta-feira (8), Sérgio Camilo negou que tenha cometido violência política de gênero contra a parlamentar do PT. "Somente repercuti falas feitas pela própria vereadora", disse. Por fim, afirmou que vai aguardar a conclusão do relatório da polícia para apresentar eventual defesa.
Para a defesa da vereadora, o caso de Açucena se assemelha ao da hoje deputada Camila Valadão (Psol), que sofreu violência política de gênero quando era vereadora de Vitória, cometida pelo então vereador Gilvan da Federal (PL). O caso de Camila Valadão foi parar na Justiça Eleitoral e o parlamentar foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES), ficando inclusive inelegível para o pleito deste ano.
Segundo Saulo Salvador, que representa tanto Açucena quanto Camila Valadão em processos sobre violência política de gênero sofrida durante os mandatos, o caso de Gilvan mostra que a Justiça Eleitoral já reconhece e pune esse tipo de violência, mas que a pressão popular e vontade política são importantes para o avanço desse tipo de denúncia.
"Os que reunimos no processo já dão bastantes elementos para a condenação. O caso da Camila mostra que a atenção e o controle da sociedade fazem a diferença", afirma.
Ainda não há decisão sobre o caso, uma vez que novos depoimentos seguem ocorrendo, segundo informações da defesa da vereadora de Cariacica.