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PCdoB entra com ação contra decreto de Bolsonaro sobre posse de armas

Para o partido, as normas do decreto atentam contra o princípio constitucional da "razoabilidade", "na medida em que não se revela adequado e razoável, que toda a população de um País possa ter até quatro armas em sua residência, ou no local de trabalho, caso seja titular ou responsável por estabelecimento comercial ou industrial"

Publicado em 17 de Janeiro de 2019 às 16:43

Publicado em 

17 jan 2019 às 16:43
O decreto de Bolsonaro torna possível adquirir até quatro armas, amplia o prazo de validade do registro de cinco para dez anos Crédito: Reprodução/Pixabay
O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) entrou nesta quinta-feira (17) com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro que facilita as regras para o cidadão obter a posse de arma de fogo.
Esta é a quinta vez que uma medida do governo Bolsonaro é contestada na Suprema Corte. Além do decreto sobre posse de armas, já se tornaram alvo de questionamento no STF a medida provisória que reestruturou pastas e extinguiu o Ministério do Trabalho - questionada em três ações que tramitam no tribunal - e a promoção no Banco do Brasil de Antonio Mourão, filho do vice-presidente general Hamilton Mourão.
O decreto de Bolsonaro torna possível adquirir até quatro armas, amplia o prazo de validade do registro de cinco para dez anos e, na prática, dispensa o cidadão de comprovar que tenha a "efetiva necessidade" de possuir armamento, o que era previsto pela legislação anterior.
Bolsonaro afirmou que esse é o "primeiro passo" no compromisso de campanha de garantir o "direito de defesa" da população. O aumento de acesso a armas, porém, é criticado por parte dos especialistas em segurança.
Para o PCdoB, as normas do decreto atentam contra o princípio constitucional da "razoabilidade", "na medida em que não se revela adequado e razoável, que toda a população de um País possa ter até quatro armas em sua residência, ou no local de trabalho, caso seja titular ou responsável por estabelecimento comercial ou industrial".
O PCdoB também sustenta que Bolsonaro abusou da competência constitucional de regulamentar leis, invadindo a competência do Congresso Nacional de elaborar leis.
Até a publicação deste texto, não havia sido definido o relator da ação no Supremo. O ministro Luiz Fux, vice-presidente do STF, está comandando o plantão da Corte pelos próximos dias e decidindo sobre casos considerados urgentes.
LOBBY
O decreto retirou do caminho de interessados em obter armas um requisito do Estatuto do Desarmamento, de 2003, visto pelo governo e pelo lobby armamentista como entrave para a aprovação de pedidos de registros - a comprovação de "efetiva necessidade". Sob o argumento de que havia espaço para subjetividade, o governo permitiu que o cidadão não detalhe por que precisa da arma e a autoridade responsável não faça análise individualizada.

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