A Câmara da Serra, na sessão de quarta-feira (03), derrubou o veto do prefeito Audifax Barcelos (Rede) ao projeto elaborado por um grupo de vereadores que pretende obrigar que todas as Parcerias Público-Privadas (PPP) propostas pelo Poder Executivo municipal somente saiam do papel com a anuência do Legislativo.
"Trabalhamos com muita transparência. Às vezes, levam para o outro lado falando que é perseguição, mas não é. Estamos trazendo economia para o município. A PPP oneraria muito os cofres públicos porque estaríamos aumentando o custo da limpeza do lixo. Nós fomos eleitos para ter muita responsabilidade com o dinheiro", opinou o vereador Rodrigo Caldeira.
A derrubada é mais um capítulo da tensão política no município. Audifax e Caldeira trocaram acusações publicamente. O prefeito chegou a dizer que o "crime organizado quer ressurgir por meio da presidência da Câmara da Serra". O presidente, que tenta CPI e comissões processantes contra o Executivo, reagiu sugerindo que o crime pode estar é na prefeitura.
A Prefeitura da Serra prepara uma PPP para o tratamento de resíduos sólidos, em contrato que deve custar R$ 2,5 bilhões em 30 anos. Segundo Caldeira, o custo da PPP por ano, cerca de R$ 83 milhões, seria maior do que o município gasta atualmente com lixo. Esse é o argumento para frear a parceria.
INTERFERÊNCIA
Audifax, claro, tem outra versão. Na última terça-feira, disse que processos só foram abertos contra ele após ter negado à Câmara o poder de "interferir" na licitação, sem detalhar como se daria tal interferência.
Procurada nesta quinta-feira (04) para comentar a derrubada do veto, a prefeitura informou apenas que "esta função não compete ao Legislativo".