O ano era 1980. Líder sindical, à frente de uma greve que paralisava as montadoras de automóveis do ABC paulista, Luiz Inácio da Silva o Lula somente seria incorporado oficialmente ao sobrenome dois anos depois foi preso. Passou 31 dias na cadeia, e em seis desses fez uma greve de fome meio a contragosto. No ano seguinte, Lula foi condenado a três anos de prisão pela Justiça Militar por incitação à desordem coletiva. Contudo, ele recorreu e foi absolvido.
Então o Partido dos Trabalhadores (PT) já havia surgido, com Lula, um dos fundadores, à frente. Um líder político emergia, para além da multidão de trabalhadores que o ouvia em assembleias.
O ano é 2018. O agora ex-presidente Lula é condenado, em segunda instância, a 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.
Os 39 anos que separam uma condenação da outra contêm vários Lulas, alguns dos quais serão retratados nesta reportagem.
Além do posto mais alto do Executivo, o petista também já foi deputado federal, o mais votado em 1986. Foi breve a passagem pelo Legislativo, o mesmo contra o qual ele dispararia uma de suas declarações mais famosas, que virou até música dos Paralamas do Sucesso: Há no Congresso uma minoria que se preocupa e trabalha pelo país, mas há uma maioria de uns trezentos picaretas que defendem apenas seus próprios interesses.
Isso foi em 1993, quando Lula percorria os Estados da região da Amazônia numa pré-campanha para as eleições do ano seguinte. Em 1994 ele perdeu, pela segunda vez, a disputa pelo Palácio do Planalto. O petista ainda ostentava um perfil sapo barbudo, como havia dito o pedetista Leonel Brizola. E perderia ainda mais uma eleição, em 1998.
A chave para a ascensão ao cargo almejado ocorreu em 2002, quando o próprio Lula cunhou o Lulinha paz e amor e, em uma carta ao povo brasileiro, acalmou o mercado. O futuro o revelaria como uma metamorfose ambulante. Os oito anos de governo de Lula foram marcados por crescimento econômico, protagonismo da classe C e um cenário muito confortável para os ricos e os empresários ricos.
Assim, Lula passou incólume até pelo escândalo do mensalão e deixou o governo, em 2010, com 87% de aprovação, segundo o Ibope.
As investigações da Operação Lava Jato, que apontaram o ex-presidente como amigo e parceiro de malfeitos das elites que ele, por décadas, repudiou, mudaram para sempre a imagem do primeiro operário a comandar o país ou reforçar a tese de que o líder popular voltou a ser um perseguido político.
PRESENÇA CONSTANTE NO ESPÍRITO SANTO
Antes da data do julgamento no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) ter sido marcada, em 2017, o ex-presidente Lula afirmou: Não fiquem com essa bobagem de que o Lula não vai ser candidato, porque eu vou ser candidato e vou ganhar essa eleição.
A declaração foi dada no palanque montado na Praça Costa Pereira, no Centro de Vitória. Era uma das etapas da caravana que o petista empreende pelo país.
No passado, o petista já havia estado ao menos 15 vezes no Espírito Santo, como já mostrou o Gazeta Online. Em uma dessas ocasiões, em 1999, houve uma tragédia. Um dos carros da caravana petista pegou fogo após sofrer um acidente na BR 101 perto de Sooretama. Morreram o ex-deputado estadual Otaviano de Carvalho (PT) e a então assessora de imprensa do PT, Elizabeth Gomes Lima.
O então presidente também esteve no Estado para anunciar promessas de conclusão das obras do Aeroporto de Vitória que, envoltas em um eterno imbróglio, sofreram atrasos sucessivos.
Como presidente, em 2003, Lula autorizou a antecipação de R$ 355 milhões em recursos dos royalties do petróleo ao Estado, que garantiram ao governo Paulo Hartung (então filiado ao PSB) quitar débitos da gestão anterior.
RELEMBRE AS PASSAGENS DE LULA