O dono do grupo J&F, Joesley Batista, reforçou em depoimento nesta quinta-feira (15) que não fez pagamentos para o presidente Michel Temer para se beneficiar de um decreto no porto de Santos. O depoimento foi prestado na sede da Polícia Federal em São Paulo.
"Joesley afirma um envolvimento geral (do presidente), em que ocorreram alguns pagamentos", disse André Callegari, advogado do empresário. "Mas em relação à decreto de portos e medidas provisórias, ele negou taxativamente qualquer pagamento para o presidente Michel Temer", completou.
Callegari também disse que o empresário deseja continuar com sua delação premiada.
"Ele disse que vai manter a postura de colaborador. isso é o mais importante. Independentemente da manifestação da Procuradoria da República", disse. A PGR quer cancelar a colaboração após o envolvimento do ex-procurador Marcelo Miller na delação.
O depoimento foi conduzindo pelo delegado Cleyber Malta Lopes. Ele e sua equipe vieram a São Paulo de Brasília para ouvir Joesley, que está preso junto com o irmão, Wesley, desde setembro de 2017 na PF.
É a primeira vez que Joesley fala no inquérito da investigação envolvendo o presidente Michel Temer e contratos no porto de Santos. A investigação apura se o presidente Temer editou um decreto para beneficiar o grupo JBS no porto em troca de pagamentos feitos pelo grupo. Temer nega.