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Vazamento de mensagens

Guedes sugere que caso Moro é tentativa de prejudicar Previdência

No domingo (9), o site Intercept Brasil mostrou que Moro e o procurador Deltan Dellagnol, coordenador da Lava Jato em Curitiba, trocavam colaborações quando integravam a força-tarefa da operação

Publicado em 11 de Junho de 2019 às 00:30

Publicado em 

11 jun 2019 às 00:30
O ministro da Economia, Paulo Guedes, sugeriu nesta segunda-feira (10) que o vazamento de mensagens que envolvem o ministro da Justiça, Sergio Moro, ocorreu como forma de prejudicar a tramitação da reforma da Previdência.
Em apresentação na sessão plenária do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), o ministro afirmou que o episódio não é coincidência. "Gravaram o presidente Michel Temer, 'não vai ter reforma da Previdência'. Pronto, acabou. Toda hora tem uma. Uma é o Michel Temer, outra é o filho do Bolsonaro, outra é não sei o que lá, hoje é o do Moro", disse.
"Só os senhores têm capacidade para examinar o mérito, mas não é coincidência que estoura essa bombinha, cada hora estoura uma, vendo se paralisa a marcha dos eventos", afirmou Guedes.
No domingo (9), o site Intercept Brasil mostrou que Moro e o procurador Deltan Dellagnol, coordenador da Lava Jato em Curitiba, trocavam colaborações quando integravam a força-tarefa da operação.
Moro, que hoje é ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro, foi o juiz responsável pela operação em Curitiba. Ele deixou a função ao aceitar o convite do presidente, em novembro, após a eleição.
O presidente da comissão especial da reforma da Previdência, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), disse que é preciso ter a responsabilidade de não se deixar contaminar a tramitação da proposta após a divulgação de reportagens sobre a Lava Jato.
"Os fatos envolvendo o ministro Moro, se confirmados, atentam contra o Estado democrático de Direito, mas temos a responsabilidade de não deixar que contamine o andamento da reforma da Previdência, que seguirá o calendário definido pela comissão", disse Ramos, no Twitter.
O mercado teve reação moderada à divulgação de suposta colaboração entre Moro e Dallagnol. Apesar de deixar investidores cautelosos sobre possíveis desdobramentos, a leitura é que as conversas divulgadas não impactam a reforma da Previdência.
A Bolsa brasileira chegou a cair cerca de 1% pela manhã desta segunda, mas amenizou perdas e fechou com recuo de 0,36%, a 97.466 pontos. O dólar registrou leve alta de 0,18%, a R$ 3,885.
Na quinta-feira (13) o deputado Samuel Moreira (PSDB-SP) apresenta seu relatório sobre a reforma da Previdência, determinando quais pontos saem do projeto, além da definição se estados e municípios estarão na proposta.
Tais definições determinarão o tamanho da reforma e o valor economizado, determinante para o mercado, que aguarda entre R$ 700 bilhões e R$ 800 bilhões. "É muito melhor incluir estados no projeto. Uma reforma por conta dos governos estaduais poderia ser pior que a reforma da Previdência do governo federal", disse Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset.
O cenário positivo para a reforma e o exterior estável seguraram o Ibovespa, maior índice acionário do país, no patamar dos 97 mil pontos. O giro foi de R$ 11 bilhões, abaixo da média diária para o ano.
"No começo do dia, tivemos incerteza, mas nos recuperamos. [A divulgação de conversas entre Moro e Dallagnol] não afeta o mercado. A Bolsa está atrelada ao cenário externo e à reforma da Previdência. Não há impacto, e a Previdência está blindada", disse Carlos de Freitas, economista-chefe da Ativa Investimentos.
Em entrevista conjunta ao jornal Folha de S.Paulo, os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), expuseram que Jair Bolsonaro, sem base parlamentar sólida, terá problemas para aprovar a agenda que propõe. "Uma coisa é o Parlamento garantir condições mínimas de governabilidade", disse Maia, citando a reforma. "A partir daí, qual vai ser o embate?" Já Alcolumbre disse que, apesar das divergências, Bolsonaro "vai ter que me aturar dois anos na presidência do Senado".

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