A Câmara da Serra pode iniciar um procedimento interno para tomar providências sobre a denúncia feita por ex-assessores do vereador Geraldinho Feu Rosa (PSB). Eles contam que o parlamentar solicitou parte dos salários dos servidores. O caso foi publicado pelo Gazeta Online nesta sexta-feira (22), com um vídeo gravado durante uma reunião, e já está sendo investigado pelo Ministério Público Estadual.
O presidente da Casa, Rodrigo Caldeira (Rede), afirmou, por meio de sua assessoria, que está aguardando mais informações para tomar as medidas necessárias, já que tomou conhecimento dos fatos por meio da imprensa.
No vídeo da reunião, Geraldinho fala para seus funcionários que está avaliando também cobrar os repasses de funcionários terceirizados da Câmara, que seriam indicados por ele. "Depois eu posso até ver, vou pensar ainda, a gente vai conversar com a terceirizada, porque eu não sei se a gente vai colocar. As terceirizadas com esse tanto de jumbo, com esse tanto de política, de gente para fazer acordo para pôr alguém, então ainda vou pensar isso ainda. Terceirizada, nós aqui não. Nós aqui é o suporte. Os outros vão entrar pelo acordo que vou ter que fazer com o presidente de Câmara", disse o parlamentar.
Sobre esta declaração, o presidente afirmou que a empresa é terceirizada, foi contratada na gestão anterior e que é uma empresa particular, com seus funcionários próprios.
O vereador Geraldinho Feu Rosa foi novamente procurado pela reportagem, mas não retornou às tentativas de contato.
CASOS
A suposta prática de rachid não é algo incomum nem recente na Câmara da Serra. No ano passado, em março, a Justiça afastou a então presidente da Casa, Neidia Pimentel (PSD), por este motivo. Ela foi denunciada pelo Ministério Público pelo crime de concussão, que é quando um servidor público exige vantagem indevida para si direta ou indiretamente.
O órgão afirma que teria ocorrido desvio de verba pública por meio da contratação de funcionários fantasmas em empresas terceirizadas da Câmara. Além de se apropriar de parte dos salários dessas pessoas, exigiria que os trabalhadores se filiassem e trabalhassem para o PSD, partido da vereadora.
Os ex-presidentes Aloísio Santana (PSDC), Raul Cézar Nunes (Rede) e Guto Lorenzoni (PP) também respondem a ações de improbidade administrativa acusados de manter funcionários fantasmas. As gestões deles foram de 2007 a 2014.