A Prefeitura de Vitória irá disponibilizar para a Polícia Civil as possíveis imagens da região da Vila Rubim, onde três pessoas ficaram feridas após uma dupla, de carro, chegar atirando no local, na madrugada desta quinta-feira (13). O objetivo é ajudar nas investigações. De acordo com o secretário municipal de Segurança Urbana, Fronzio Calheira, a prefeitura se dispõe a auxiliar a polícia até mesmo para tentar conseguir a placa do veículo dos suspeitos do crime.
“Iremos auxiliar, mas é a Polícia Civil que vai dizer com mais profundidade o que aconteceu.Enquanto isso, a Guarda Municipal atua em apoio à Polícia Militar - que tem competência constitucional do policiamento ostensivo, atuando na região da Ponte Seca, na rua onde houve o atentado e outras áreas, fazendo abordagens, inclusive conduzindo alguns criminosos quando são encontrados com armas ou produtos de roubo e furto”, afirmou.
O secretário completou que, nas abordagens, é comum encontrar armas brancas e simulacros. “Mas não é crime carregar esse tipo de objeto. O que os guardas podem fazer é apreender e descartar”.
Procurada, a Polícia Militar informou, por nota, que realizou até o momento mais de 2 mil ações preventivas nos 21 bairros atendidos pela 1ª Cia do 1º Batalhão, incluindo a região da Vila Rubim. Dentre elas estão visitas tranquilizadoras, abordagens e cercos táticos, prendendo mais de 100 pessoas por crimes diversos.
“A atuação da PM é constante e diária, atuando de acordo com os recursos disponíveis dentro da esfera de suas atribuições: o policiamento ostensivo preventivo e a repressão aos crimes em andamento ou na iminência de ocorrer. O comando da 1ª Companhia do 1º Batalhão pede que a comunidade da Vila Rubim participe das reuniões com a PM e apresente as demandas que possam trazer mudanças no planejamento”.
"A QUESTÃO DO EXTERMÍNIO É MUITO SÉRIA"
Para Anabel Gomes, subsecretária de Proteção Social Especial da Secretaria de Assistência Social de Vitória, os atentados na Vila Rubim, na Capital, causam preocupação.
O que a secretaria tem feito pelas pessoas em situação de rua?
O principal foco é a reinserção familiar, social e ao mercado de trabalho. Temos a Rede Escola da Vida, a abordagem social, o acolhimento, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social Para População de Rua (Centro Pop), o albergue de imigrante - que fornece as passagens para quem não é de Vitória, o consultório na rua – que é ligado à Secretaria de Saúde, e o Centro de Atendimento Psicossocial (Caps), que trata dependência química.
Como são as abordagens?
Temos uma equipe com 38 profissionais, entre assistentes sociais, psicólogos e educadores. As equipes são divididas em dois carros de 8h à 00h em todo território de Vitória, todos os dias. Mas a pessoa abordada precisa querer, não é possível ser obrigada.
A região da Vila Rubim tem uma intensificação do trabalho porque é considerada um ponto com concentração de pessoas em situação de rua.
Tem surtido resultado?
Sim. Hoje são cerca de 300 pessoas em situação de rua e esse número já chegou a 732. Mas, na medida que vamos conseguindo tirar algumas pessoas, outras infelizmente entram. É um trabalho longo.
O que aconteceu na Vila Rubim preocupa vocês?
Com certeza. A questão do extermínio é muito séria. Chega a barbaridade. E nós, enquanto sociedade, não podemos aceitar isso. A que ponto chegamos? Pessoas são pessoas. Nos preocupa porque a Assistência Social acredita no potencial dessas pessoas e oferece uma rede de serviço à elas. Temos vários casos de pessoas que recuperaram-se e até passaram em cursos técnicos. Temos que ter em mente que nem todo mundo está na rua porque quer. São pessoas que tem uma história de vida, com várias perdas, desempregados, que perderam vínculos familiares e sociais.