O policial civil que se envolveu em uma briga e atirou contra um segurança na noite de 21 de agosto, na Enseada do Suá, em Vitória, se apresentou à Corregedoria da instituição um dia após o ocorrido e entregou a arma. De acordo com a Polícia Civil, o caso segue sob apuração.
O órgão informou que o policial se apresentou espontaneamente e prestou esclarecimentos. A PC afirma que este é um procedimento padrão neste tipo de apuração. O investigado está aposentado desde agosto de 2018 — de forma que não cabe, neste caso, instauração de Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD), uma vez que o PAD só se aplica a policiais na ativa.
O CASO
A confusão aconteceu com um jovem em situação de rua, de 28 anos, porque ele mexia no lixo. O segurança de um prédio tentou ajudar o rapaz durante a briga, mas acabou sendo baleado pelo policial na perna.
O morador de rua, que é técnico de som, relatou na época que ele estava mexendo no lixo por volta das 20h para procurar comida, momento em que foi surpreendido pelo policial armado.
"Eu dei boa noite, ele ficou me olhando e me chamou de 'nóia'. Falei para ele que não sou 'nóia', mas que se eu fosse usuário de drogas ou não, não devia satisfação", lembrou.
O homem afirmou em depoimento que foi nesta hora que o policial começou a mexer em uma bolsa e o mandou ir embora. "Eu disse que não ia porque não era vagabundo e que eu estava só procurando algo para comer", contou.
TRÊS TIROS
Naquela data, testemunhas contaram que o segurança de 33 anos de um prédio comercial viu quando o policial agrediu o técnico de som, e se aproximou para ajudar a vítima.
O segurança perguntou ao policial porque ele havia agredido o técnico. O policial não teria gostado da pergunta e atirou três vezes contra o segurança.
Foi nesse momento que o jovem em situação de rua foi até o Batalhão de Trânsito que fica na altura das cabines de pedágio da Terceira Ponte, em frente ao local da confusão.
"Ele perguntou para o segurança e para mim se queríamos problemas. Quando eu estava no posto da polícia, ele disparou três vezes contra o segurança. Os PMs saíram, ele correu para dentro do prédio onde mora e não saiu mais", detalhou.
O segurança e o morador de rua prestaram depoimento no mesmo dia do ocorrido.