Moradores de um condomínio em Coqueiral de Itaparica, em Vila Velha, denunciam uma sequência de mortes de gatos comunitários e suspeitam que os animais estejam sendo envenenados. Segundo o boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil, pelo menos 12 gatos morreram desde o ano passado em circunstâncias semelhantes.
Na manhã de quinta-feira (6), equipes da Delegacia Especializada de Proteção ao Meio Ambiente (DEPMA) estiveram no condomínio para iniciar os levantamentos da investigação. Um gato encontrado morto foi recolhido e encaminhado para perícia, que irá determinar a causa da morte.
Um grupo de cerca de 30 moradores cuida dos chamados gatos comunitários. Eles recebem alimentação, atendimento veterinário, castração e acompanhamento constante.
"O que temos ali são gatos comunitários. Não são de uma pessoa só, várias pessoas que cuidam", contou uma das moradoras, que preferiu não se identificar.
O trabalho de proteção aos animais, no entanto, passou a ser marcado pela preocupação. As cuidadoras afirmam que as mortes vêm ocorrendo desde o ano passado e cobram a identificação dos responsáveis.
"Agora que a gente pediu e a Polícia Civil veio. Não pode continuar do jeito que está", afirmou outra moradora.
A preocupação aumentou após dois novos casos registrados nesta semana. Uma gata foi encontrada morta na segunda-feira (3). Já na quinta-feira (6), outro animal apareceu morto nas mesmas circunstâncias.
Uma das cuidadoras contou que o gato encontrado morto na quinta era acompanhado por ela desde filhote.
Eu cuidei dela desde pequenininha. Quando vi ela morta, falei para o meu esposo: 'não acredito que é ela'. Quando desci, era ela
Não quis se identificar Moradora
Segundo os moradores, diversas tentativas já foram feitas para esclarecer o que está acontecendo. Eles afirmam que elaboraram relatórios, registraram as mortes dos animais e procuraram tanto a administração do condomínio, quanto a prefeitura, mas dizem que nenhuma providência efetiva foi tomada.
Eles também reclamam que o condomínio não disponibilizou as imagens das câmeras de segurança.
"Precisa de um posicionamento para que essa situação tenha um final e interrompa essa série de envenenamentos", disse uma moradora.
O delegado Marcelo Nolasco, titular da DEPMA, explicou que, até o momento, a polícia não pode afirmar que houve envenenamento.
"Nós tivemos um boletim de ocorrência registrado no dia 4 de agosto e ontem (quinta) mandamos uma equipe para fazer os levantamentos preliminares. Nossa equipe localizou um gato morto no condomínio. Esse gato foi recolhido e encaminhado para perícia, que vai determinar a causa da morte. Só temos como afirmar se houve envenenamento se tivermos a perícia nesse animal", afirmou.
Segundo o delegado, embora o boletim mencione 12 mortes desde o ano passado, o único caso confirmado pela polícia até o momento é o do animal recolhido na quinta-feira.
"Vamos ouvir a pessoa que registrou a ocorrência para que ela preste melhores informações, saber quantos gatos mortos, se há suspeitos e, a partir daí, tentar identificar, eventualmente, alguém que esteja fazendo isso com esses gatos."
A Polícia Civil também pretende solicitar imagens das câmeras de segurança do condomínio para tentar esclarecer o caso.
"Mas, ainda assim, temos que esclarecer que é muito complicado. Nós temos um relato de que cerca 30 de pessoas cuidam desses gatos, então podemos ter imagens de alguém colocando água e comida. Quem disse que essa água e comida de alguém que, eventualmente foi flagrado pela câmera, estariam envenenados? Tem pessoas que cuidam por amor", explicou Nolasco.
O delegado informou que não há prazo para a conclusão das investigações e pediu que qualquer pessoa com informações procure a Polícia Civil.
Se alguém está fazendo isso, é uma crueldade que não podemos permitir
Marcelo Nolasco Delegado
O delegado Marcelo Nolasco explicou que, caso seja comprovado que houve envenenamento, o responsável poderá responder pelo crime de maus-tratos contra animais, previsto no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais.
Nos casos envolvendo cães e gatos, a pena varia de dois a cinco anos de reclusão. Se o animal morrer em decorrência dos maus-tratos, a punição pode ser aumentada em até um terço, chegando a seis anos de prisão.
Enquanto aguardam respostas, as moradoras afirmam que continuarão cuidando dos gatos comunitários, apesar do medo de que novas mortes ocorram.
"A gente espera que descubra quem é essa pessoa. Existe lei e queremos saber quem é esse covarde. Queremos respostas", disse uma das cuidadoras.
* Com informações do repórter João Brito, da TV Gazeta.