A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta sexta-feira (9), a operação Provedor.Net 2.0 para combater a atuação de grupos criminosos que tentam controlar a distribuição de serviços de internet em comunidades de Vila Velha.
Até o momento, um homem foi preso. Ele é apontado pela polícia como gerente responsável pela estrutura de monitoramento clandestino via câmeras na região.
As diligências são realizadas nos bairros Vasco da Gama, Cobi de Cima, Cobi de Baixo, Boa Vista, na região conhecida como Morro da Bomba, e São Torquato. A ação é coordenada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).
Segundo a Polícia Civil, a operação dá continuidade a investigações sobre a atuação de grupos criminosos que estariam interferindo no funcionamento de empresas e na prestação de serviços à população.
As diligências desta sexta-feira seguem em andamento.
Durante a operação, a polícia identificou uma rede de câmeras utilizada por grupos criminosos para monitorar a movimentação de moradores, veículos e viaturas em bairros de Vila Velha.
Segundo o delegado-geral da corporação, Jordano Bruno, o sistema permitia acompanhar as imagens em tempo real e transmiti-las pela internet para um tablet, usado para controlar a movimentação na região.
"Estamos retirando os equipamentos em diversos pontos. Também restabelecer o sistema de internet dentro da legalidade para que os provedores possam atuar tranquilamente", disse Jordano Bruno.
De acordo com o delegado-geral adjunto, Fabrício Dutra, os equipamentos eram utilizados pelo tráfico de drogas para monitorar tanto a parte alta quanto a parte baixa de Cobi, além da atividade policial. Até o momento, 15 câmeras foram retiradas durante a operação, e os equipamentos eram conectados a uma mesma central de monitoramento.
Em 16 de setembro, a corporação realizou a primeira fase da operação Provedor.Net, no bairro Vila Garrido. Na ocasião, equipes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e de unidades especializadas fizeram diligências com apoio do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (Notaer), após denúncias de moradores e trabalhos de inteligência.
Ainda no mês de setembro, a colunista Vilmara Fernandes, de A Gazeta, trouxe relatos de empresários do setor de internet que denunciavam cobrança de pedágio por traficantes da região para permitir que as firmas pudessem prestar serviço no bairro.
Conforme publicou a colunista de A Gazeta, Vilmara Fernandes, empresários relatam que traficantes da parte alta do bairro Vila Garrido cobram até R$ 3 mil por semana para permitirem a prestação do serviço de internet.
Diante da recusa em pagar, cabos e caixas de distribuição vêm sendo cortados e quebrados, deixando moradores sem sinal. A tentativa de extorsão atinge pelo menos sete empresas.
Imagens registradas (veja acima) na madrugada do dia 5 de setembro, feitas em uma avenida que dá acesso à parte alta do bairro, mostram o momento em que duas pessoas usam uma foice para cortar os cabos e destruir o equipamento de um dos provedores. E filmam a ação.
Ainda conforme a colunista, moradores confirmaram o problema, mas se recusaram a dar detalhes por medo de represálias.
Por trás dos ataques estaria um grupo de traficantes vinculado à facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP). Alguns apontam que o homem que comanda as ações estaria escondido no Rio.
O grupo criminoso é liderado por três irmãos, dois deles detidos no sistema prisional: Luan Gomes Faria, o Kamu, e Gabriel Gomes Faria, o Buti. O terceiro é Bruno Gomes Faria, o Nono, foragido no Rio.
Bruno comandaria o grupo e a cobrança de pedágio com o apoio de Marcos Luiz Pereira Junior, o MK, que foi preso em janeiro deste ano em operação realizada pela Polícia Civil.