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Julgamento

MP diz que ex-PM iniciou agressões contra músico em Jardim Camburi

Foram apresentados aos jurados os vídeos do crime e pontos do laudo pericial sobre a cena do crime, que indicam que, no momento do disparo, a vítima não apresentava ameaça ao atirador

Publicado em 20 de Maio de 2026 às 18:12

Vilmara Fernandes

Publicado em 

20 mai 2026 às 18:12
À esquerda, o policial militar Lucas Torrezani de Oliveira; à direita, o músico Guilherme Rocha
À esquerda, o policial militar Lucas Torrezani de Oliveira; à direita, o músico Guilherme Rocha Reprodução | Montagem A Gazeta

Ao abrir os debates na segunda etapa do julgamento do ex-PM Lucas Torrezani, na tarde desta quarta-feira (20), o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) destacou que não há dúvidas de que a agressão que resultou no assassinato do músico Guilherme José Rocha Soares foi iniciada pelo ex-PM, Lucas Torrezani.


“Ao contrário do que o réu tentou mostrar em seu interrogatório, a vítima estava indefesa. Eram três homens fazendo bagunça na janela do quarto da casa do músico, e, quando ele desce para pedir silêncio, é morto. Ele não oferecia nenhum perigo e não estava descontrolado, como afirma o réu”, assinalaram os promotores.


Aos jurados, os promotores destacaram que Lucas tentou transformar uma reclamação justa de um pai de família em uma agressão injusta. “Ele transforma a vítima em agressor, mas quem agiu em legítima defesa foi o Guilherme, que já havia pedido para reduzirem o barulho.”


Observaram que, ao chegar ao hall do prédio, onde o grupo de amigos bebia e conversava alto, Guilherme apresentou uma atitude submissa. “Estava sem camisa, de pijama, com as mãos para trás e foi agredido. Ele reagiu após ter sido atingido no rosto pela arma do policial.”



Foram apresentados aos jurados os vídeos do crime e pontos do laudo pericial sobre a cena do crime, que indicam que, no momento do disparo, a vítima não apresentava ameaça ao atirador e nem possibilidade de alcançar a arma. “A reação da vítima foi uma atitude desesperada para impedir nova agressão”.


Também foi feita referência ao inquérito da PM que resultou na demissão de Lucas, que também confirmou que a vítima estava indefesa.


Em outro ponto, foi lembrado que em nenhum momento foi oferecido ou permitido o socorro ao músico. “Falaram que Guilherme estava morto, mas ninguém tocou nele. E, enquanto a vítima agonizava, ele tomou dois goles da bebida no copo que estava em sua mão, em uma atitude desumana”, assinalam os promotores.


O copo foi outra prova destacada, por revelar que não houve briga entre réu e vítima. “Lucas manteve o copo em uma mão e a pistola em outra e, em nenhum momento, o líquido foi entornado”, observaram.


Foi explicado aos jurados que, em processo administrativo, a investigação da própria PM apontou que ele não poderia usar a arma da corporação tendo ingerido bebida alcoólica por tanto tempo.


Ao final da apresentação, pediram a sanção máxima a ser aplicada a Lucas. Os promotores também destacaram que o objetivo do júri era também encerrar o luto da família de Guilherme, dando à vítima a defesa e a justiça que ela não teve.


Os promotores finalizaram lembrando que Guilherme foi dialogar com Lucas, pedindo silêncio. “Não foi em busca de conflito, mas acabou sendo agredido mortalmente”.

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