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Morte de suspeito em assalto

Justiça envia processo de dono de clube de tiro do ES ao MP Militar do Rio

Cabo que é dono de clube de tiro - investigado por compra de arma desviada - e outros dois policiais respondem por morte de adolescente de 15 anos, suspeito de assalto

Publicado em 10 de Junho de 2019 às 14:03

Vinícius Valfré

Publicado em 

10 jun 2019 às 14:03
Guerreiros Escola de Tiro e Comércio de Armas, em Vila Velha Crédito: Fernando Madeira | GZ

A 3ª Vara Criminal da Serra enviou à 2ª Procuradoria de Justiça Militar do Rio de Janeiro cópia integral do processo no qual três policiais militares do Espírito Santo são réus por homicídio. Entre eles, um dos donos do clube de tiro da Guerreiros, o cabo Marcos Antônio Loureiro de Souza, que apareceu em investigação sobre desvio de armas do Exército, no Rio, para o estabelecimento, com unidades em Serra e Vila Velha.

No Ministério Público Militar do Rio, é a 2ª Procuradoria do Rio que investiga a denúncia de desvio de armas por um tenente-coronel do Exército. A remessa da documentação ao Rio foi determinada pela juíza Daniela Pellegrino de Freitas Nemer, da 3ª Vara, em 27 de maio, em resposta a um ofício. Acionada pela reportagem, a Procuradoria não informou motivos para solicitado ou recebido a cópia.

A existência do processo por homicídio contra o cabo da PM foi revelada pelo Gazeta Online. Ele e outros dois policiais respondem pela morte de um adolescente de 15 anos, suspeito de assalto, em 2014. Para o Ministério Público Estadual (MPES), que ofereceu denúncia contra o trio em 2016, os policiais não agiram em legítima defesa e mataram o menor em fuga. A compra das armas do Exército se deu em 2018.

"Eram quatro infratores, todos armados e que, após subtraírem um veículo, entraram em confronto com a guarnição em que se encontrava o cabo Loureiro e outros militares estaduais. A ação dos militares foi legítima, uma vez que repeliram injusta agressão. E isto restará devidamente provado na instrução da ação penal", afirma Claudius Caballero, advogado dos três policiais no processo.

No mesmo despacho que determinou o envio de cópia do processo ao Ministério Público Militar, a juíza Daniella Nemer também marcou a data da próxima audiência do caso. Será em 23 de agosto de 2021, mais de sete anos após a ocorrência. 

A COMPRA DAS ARMAS

Equipamentos que deviam estar custodiados no setor de Fiscalização de Produtos Controlados da 1ª Região Militar do Exército foram comercializadas com o clube de tiro capixaba, em 2018. Por 110 armas, teriam sido acertados R$ 90 mil, em 12 prestações. Uma geladeira também teria sido oferecida na negociação.

Loureiro diz ter sido enganado pelo militar do Exército. Mesmo assim, entregou à Justiça Militar conversas via WhatsApp com o tenente-coronel nas quais foi orientado a dizer que uma das armas - uma pistola 9mm, da Taurus - jamais esteve na empresa capixaba. Essa pistola havia sido entregue ao Serviço de Produtos Controlados quando este passou à reserva. O início da investigação se deu com a descoberta do desvio ilegal da arma.

Cinco armas brasonadas, identificadas como do Exército, foram encontradas na Guerreiros, durante inspeção. "De plano, verifica-se que tais armas jamais poderiam estar com a empresa Guerreiros Clube de Tiro, tendo em vista que estamos tratando de armas brasonadas", frisou a 2a Procuradoria Militar do Rio, em abril.

 

 

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