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Denúncia do MPES

Justiça afasta delegado do ES denunciado por tortura e abuso de poder

Carlos Henrique Simões é delegado regional de Venda Nova do Imigrante e decisão cita risco de interferência nas investigações; filho do policial também foi denunciado

Publicado em 02 de Abril de 2026 às 11:57

Júlia Afonso

Publicado em 

02 abr 2026 às 11:57
Delegado Regional de Venda Nova do Imigrante, Carlos Henrique Simões
Delegado Regional de Venda Nova do Imigrante, Carlos Henrique Simões Crédito: Canal do Youtube da Câmara de Iúna
A Justiça do Espírito Santo determinou o afastamento do delegado regional de Venda Nova do Imigrante, Carlos Henrique Simões, acusado de tortura e abuso de poder. O filho dele também foi denunciado pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), mas apenas por crime de tortura.  
Segundo a decisão judicial, à qual a reportagem de A Gazeta teve acesso, o delegado e o filho foram denunciados por submeter uma pessoa a “intenso sofrimento físico e mental, mediante agressões reiteradas e atos de humilhação”, com o objetivo de obter confissão sobre o suposto furto de um motor pertencente à granja do policial.
No documento, a Justiça destaca que há indícios de que o delegado ocupa posição hierárquica relevante, o que pode aumentar o risco de interferência na instrução processual, especialmente em relação a testemunhas, além da possibilidade de reiteração delitiva.
Além do afastamento cautelar, foi determinada a expedição de ofício à Corregedoria da Polícia Civil, a apreensão da arma de fogo funcional e do distintivo, bem como a proibição de acesso do delegado às dependências da unidade policial e a qualquer repartição diretamente relacionada aos fatos investigados.
A decisão foi expedida na quarta-feira (1º). A reportagem de A Gazeta procurou a Polícia Civil, que informou estar realizando verificações preliminares sobre os fatos.
“O processo tramita sob sigilo e, até o momento, a Corregedoria não foi formalmente intimada da decisão, não tendo obtido acesso integral aos autos, apesar das tentativas realizadas. As informações disponíveis decorrem de decisão que chegou ao conhecimento por meio não oficial”, informou a corporação.
A Polícia Civil também destacou que o delegado citado encontra-se de férias, havendo um substituto em exercício. “Ainda assim, já estão sendo adotadas as medidas administrativas cabíveis, incluindo o recolhimento de armas e a devida ciência quanto à decisão e ao afastamento”, acrescentou.

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