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Conflitos entre gangues

Confrontos deixam moradores reféns da violência em bairros de Vitória

Tensão se acirrou nos bairros Itararé, Santa Martha e Andorinhas, por causa de conflitos entre gangues rivais

Publicado em 29 de Agosto de 2018 às 01:08

Redação de A Gazeta

Publicado em 

29 ago 2018 às 01:08
Creche no bairro Andorinhas, em Vitória, não abriu durante a tarde Crédito: Carlos Alberto
A tensão e o medo provocado por ataques armados entre criminosos deixou crianças e adolescentes sem aulas e sem atividades de esporte e lazer, na tarde desta terça-feira (28), na região que compreende os bairros Itararé, Santa Martha e Andorinhas, em Vitória.
A creche Maria Nazareth Menegueli, em Santa Martha, a Escola de Ensino Fundamental Izaura Marques da Silva e o Projeto Caminhando Juntos (Cajun), ambos em Andorinhas, tiveram que fechar as portas e suspender as aulas depois que criminosos atiraram na orla de Andorinhas, às 10h40. O local é bem próximo da escola Izaura Marques.
Na tarde desta terça-feira (28), a reportagem encontrou os portões da creche trancados e nenhum morador para falar sobre o assunto. Policiais militares deslocados para o lugar dos disparos recolheram 15 cápsulas de pistola .40 e mais 37 cartuchos de calibre 9 mm. Nenhuma pessoa foi baleada.
NOITE VIOLENTA
Na noite de segunda (27) para terça-feira, uma gangue formada por cinco pessoas armadas fez dois ataques em um intervalo de pouco mais de uma hora, em Itararé.
No primeiro registro, um adolescente de 16 anos ficou ferido ao ser baleado no pé. Ele jogava bola na quadra do bairro quando um carro invadiu a calçada. O bando desceu e abriu fogo contra os meninos que jogavam. A maioria conseguiu escapar, mas um deles foi atingido enquanto corria.
Pouco tempo depois, o alvo foi o carro de um aposentado, 64. Ele passava pela rua das Palmeiras quando foi surpreendido por homens encapuzados que tentaram impedí-lo de seguir pela rua. Os criminosos atiraram contra o carro, mas o aposentado conseguiu sair ileso.
Já na noite de domingo, o estudante Victor Gabriel Abílio Florentino, a 14 anos, que morava em Santa Marta, foi assassinado a tiros próximo à praça de Andorinhas.
Fontes da polícia ouvidas pela reportagem explicaram que o conflito na região é antigo e divide-se em duas frentes: uma do grupo de traficantes de Andorinhas, com apoio dos bandidos de Santa Martha, e outra facção de Itararé, que recebe auxílio dos criminosos do Bairro da Penha.
No meio desses embates estão os moradores de bem. “Eu evito sair na rua. Hoje eu tinha contas para pagar e compromissos, mas prefiro deixar para um dia mais calmo”, contou uma dona de casa, moradora de Santa Martha.
“Aqui ninguém vê nada e nem sabe de nada. Isso é o melhor a fazer se você não quer ter problemas”, afirmou um motorista que mora em Itararé. Em julho deste ano, duas pessoas foram assassinadas na região.
“NOSSOS POLICIAS ESTÃO PRESENTES NOS BAIRROS”
De acordo com o comandante do 1°Batalhão da PM, tenente-coronel Geovanio Ribeiro, as regiões de Andorinhas, Itararé e Santa Marta vivem em conflito há muitos anos. “Há um conflito antigo. Já tivemos alguns momentos de conflitos, mas sempre que acontecem, a polícia atua”, afirmou. Ontem, duas escolas e um projeto social não funcionaram nos bairros. Sobre essa situação, o tenente-coronel afirmou que é comum a população sentir medo, mas reforçou que a polícia está no local.
“Tivemos no fim de semana um jovem assassinado, tivemos notícias de disparos. Mas estamos na área desde o princípio, nossos policiais estão presentes. Sempre estivemos lá e vamos permanecer”, disse.
A presença intensificada da PM deve continuar na quarta-feira (29).
Ao ser questionada sobre investigações sobre o tráfico de drogas, assassinatos e pessoas baleadas na área, a Polícia Civil respondeu, por meio de nota, que não passará detalhes para não atrapalhar as apurações.
A reportagem também perguntou quantas pessoas foram presas desde o início do ano acusadas de tráfico de drogas e homicídio, assim como quanto de drogas e armas foram apreendidas. Porém, a assessoria não respondeu aos questionamentos.
HOMENAGEM PARA ESTUDANTE MORTO
Vitor Gabriel Abilio Florentino, de 14 anos, foi morto a tiros enquanto jogava bola com amigos no bairro Andorinhas, na tarde deste domingo (26) Crédito: Arquivo Pessoal
 
Alunos da Escola municipal Marieta Escobar, em Santa Martha, em Vitória, fizeram homenagens ao estudante Victor Gabriel Abílio Florentino, 14 anos, morto com tiros no domingo (26).
A morte do estudante foi a marca mais forte dos recentes registros de violência na região que atinge ainda Itararé e Santa Martha. Ele foi alvo de quatro tiros enquanto jogava bola na pracinha de Andorinhas.
Na escola, os alunos da turma de Victor fizeram cartazes com recados de carinho e também desabafos da dor e saudade que estão sentindo. Parentes do estudante foram ao local e agradeceram pela dedicação e lembrança.
“Vemos essa homenagem como um carinho, o mesmo carinho com que o Victor tratava as pessoas ao redor dele. Ele espalhava alegria por onde passava, sentimos o choque das outras pessoas com a morte dele”, contou o tio do garoto, que cuidou dele desde 1 ano de idade. Para ele, a tristeza é presença constante desde o assassinato do menino. “Não mataram só o Victor. Mataram eu, minha mãe e a minha irmã (mãe dele) junto.”
Na segunda-feira (27), amigos de Victor carregaram o caixão do estudante durante o enterro no Cemitério Maruípe, em Vitória.
Victor Gabriel foi lembrado pelos seus colegas de sala Crédito: Acervo Pessoal
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