O criminoso identificado como Otniel Ferreira Fraga, de 37 anos, que matou o pastor Fernando Pissarra no último domingo (23), no bairro São Judas Tadeu, em Serra Sede, confessou, em depoimento à polícia, que parou em um bar para tomar uma cerveja logo após cometer o crime.
O delegado Rodrigo Sandi Mori, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, detalhou que o criminoso sabia desde o início o que estava fazendo e, após cometer o crime, parou no bairro Cascata, entrou em um bar, tomou uma cerveja e foi embora para casa, em Jacaraípe. Otniel escondeu a arma em uma casa abandonada no bairro em que cometeu o crime.
Ainda de acordo com o delegado, Otniel confessou o assassinato com riqueza de detalhes — o pastor e o irmão de Otniel, identificado como Gideão Ferreira Fraga, tiveram algumas desavenças em 2003 depois que Gideão se interessou pela namorada do sobrinho de Pissarra.
O pastor interviu na situação para proteger o sobrinho e, pouco tempo depois, Gideão foi baleado na perna. Na época, Otniel culpou o pastor. Cinco meses depois, Gideão foi morto por disparos de arma de fogo. Para Otniel, o mandante do crime teria sido Pissarra.
Dois anos depois da morte de Gideão, Otniel e Fernando voltaram a conversar e resolveram selar a paz. O autor do crime voltou a frequentar a Igreja Assembleia de Deus, onde Pissarra ministrava os cultos, porém, os dois voltaram a se desentender. Na versão de Otniel à polícia, o pastor teria o ameaçado de morte.
"Depois que Otniel abandonou a igreja, eles voltaram a ter desavenças, a se ameaçarem. Em depoimento, o autor do crime fala que, apesar de ter se passado 16 anos da morte do irmão, ele nunca esqueceu e resolveu se vingar. Esta é a principal motivação do crime, que também é sustentada por parte da família", explicou Sandi Mori.
Otniel ficou esperando Pissarra atrás de um caminhão e, depois que várias pessoas o viram lá, ele foi para o beco e esperou o pastor descer da casa da irmã. Quando ele saía da igreja, o autor do crime vestiu o capuz, bateu o pé, o pastor olhou e ele efetuou o primeiro disparo, que errou
Ainda em depoimento à polícia, Otniel confessou o crime com riqueza de detalhes e fala que premeditou o crime. "Ele estudou o horário da vítima e concluiu que a forma mais fácil de matar o pastor seria no domingo. Então, ele chegou ao local por volta das 17h20. O que chamou a nossa atenção foi que o executor fez tudo de uma maneira atrapalhada", detalhou o delegado.
Depois de errar o primeiro tiro, Otniel tentou novamente, que errou o alvo e acertou o portão da casa de Pissarra. No terceiro disparo, então, o pastor gritou: "Jesus, me ajuda!" e foi alvejado nas costas. A bala transfixou o corpo de Fernando e saiu pela axila.
Chegamos lá hoje com o mandado de prisão e ele estava almoçando. Não resistiu e confessou o crime, entregou munições e a roupa que utilizou quando cometeu o assassinato. Nos levou no bairro São Judas Tadeu e entregou a arma
Otniel foi preso mediante mandado de prisão temporária, que tem validade de 30 dias, podendo ser prorrogado por mais 30. Ele foi encaminhado para o Centro de Triagem de Viana (CTV).
OUTRO LADO
A defesa de Otniel Ferreira Fraga, 37 anos, disse que vai tentar amenizar as qualificadores do crime (que aumentam a pena). “Ele confessou que praticou o crime. Vamos trabalhar a amenização da pena, buscar um equilíbrio no julgamento para que seja apurada a verdade e tirar algumas qualificadoras”, explicou o advogado Waldyr Loreiro, que chegou à delegacia no meio da tarde desta quarta-feira (.
O advogado disse que, em conversa com Otniel, ele também descreveu a situação da morte do irmão Gideão e das ameaças. Porém, alegou que o cliente tem esquizofrenia e que isso pode ter potencializado o medo de ser morto.
“O irmão dele foi vítima de homicídio e, segundo ele, havia a participação do pastor. Já havia um problema pré-existente. Há poucas semanas atrás, ele foi ameaçado, ao vivo, e na presença de testemunhas pelo pastor. Ele acabou ficando receoso, mas houve um ‘plus’ na mente dele, pois por ter esquizofrenia. Ele se sentiu desprotegido e tentou eliminar um risco que dentro da cabeça dele existe”, diz o advogado.
Segundo Loreiro, Otniel comprou a arma devido às ameaças sofridas. “O pastor ele era visto como uma pessoa muito problemática, era comum esse tipo de ação dele. Ele comprou a arma para se proteger, a partir do momento que ele viu uma oportunidade de eliminar o risco, ele se defendeu”, alega.