Mayr Freitas Ramalho, coronel reformado da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) e um dos integrantes do grupo que combateu o antigo Esquadrão da Morte no Estado, morreu na manhã desta segunda-feira (2), em Vitória, aos 89 anos. Mayr é pai de Alexandre Ramalho, também coronel da PM, ex-secretário estadual de Segurança Pública e atual candidato a prefeito de Vila Velha.
Mayr faleceu após complicações cirúrgicas. De acordo com o filho, o pai amputou a perna esquerda há três semanas por problemas vasculares e não reagiu bem ao pós-operatório.
Nascido em Vila Velha, Mayr Freitas Ramalho foi morador do bairro de Argolas e ingressou na PMES em 1956 como aspirante oficial. Na década de 1960, teve forte atuação contra o antigo Esquadrão da Morte no Estado, organização criminosa apontada como responsável por assassinatos políticos e quase 1.500 homicídios, tendo como integrantes membros do governo estadual na época.
Em atuação conjunta com o Exército Brasileiro, o policial militar descobriu um cemitério clandestino com vários corpos enterrados na Barra do Jucu, em Vila Velha. Com a descoberta, sofreu perseguições e represálias dentro e fora da PMES, onde também comandou o primeiro batalhão e o Comando de Policiamento da Capital. Já nas décadas de 70 e 80, ajudou a implantar a Polícia Rodoviária Estadual.
Em nota de pesar divulgada nesta manhã, Ramalho afirmou que o pai foi um “símbolo de bravura e integridade”.
“A posição militar dele sempre foi motivo de muito orgulho. Integrar a corporação foi uma realização, especialmente em um momento muito difícil no Espírito Santo. Meu pai foi muito perseguido e atacado dentro da própria instituição”, disse Ramalho em conversa com A Gazeta.
“Para mim, em especial, ele representou aquele homem fardado que lutava mesmo nos momentos mais difíceis, muitas vezes ausente em ocasiões festivas com a família, como Natal e ano novo, devido ao trabalho”, completou Alexandre.
Mayr foi enterrado no Cemitério Jardim da Paz, na Serra, onde foi velado na manhã desta segunda.