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Turismo

Vitória não tem previsão de receber navios de cruzeiro, diz secretário

“A nossa beleza nos limita. São muitas pedras e ilhas, local de risco para navios enormes”, disse Dorval Uliana, secretário estadual de Turismo

Publicado em 09 de Janeiro de 2020 às 17:25

Isabella Arruda

Publicado em 

09 jan 2020 às 17:25
Navio de cruzeiro Crédito: Divulgação
Luxo solar em alto mar, os cruzeiros atraem turistas exigentes e dispostos a conhecer diversos pontos da costa em uma única viagem. Apesar do apelo visual do litoral do Espírito Santo, ainda não é a hora do capixaba se animar. De acordo com o Secretário de Turismo do Estado, Dorval Uliana, não há perspectiva de retorno do serviço às águas do Estado. “A nossa beleza nos limita. São muitas pedras e ilhas, local de risco para navios enormes”, iniciou.
Segundo o secretário, o diálogo com organismos responsáveis está sendo retomado do zero, até em virtude da mudança no comando da Capitania dos Portos, que acontecerá com a cerimônia de posse do novo comandante, Washington Luiz de Paula Santos, prevista para a esta sexta-feira (10).
“Tínhamos todo o encaminhamento, mas precisamos aguardar a nova posse. O cenário oito anos atrás, quando os últimos navios vieram ao Estado, era de 22 navios na costa brasileira, com porte médio para atender 2800 passageiros, contando com 248 metros de comprimento. Os navios hoje são oito, com capacidade mínima de 4500 passageiros. Isso, por si só, teria um impacto muito grande. Não existem condições técnicas pelo Porto de Vitória”.

PONTOS DE FUNDEIO

Para viabilizar a ancoragem de navios de cruzeiro em Vitória, seria necessária a instalação de novos pontos de fundeio, segundo informou o secretário. “Estes navios têm tamanho excessivo para fazer o giro na Avenida Beira-Mar, sendo necessário outro ponto de atracação. Fizemos todo o esforço ano passado para tratar das questões que interferem, junto à Capitania, à Codesa, à praticagem e à Prefeitura. Estamos em busca de um ponto de fundeio, que é o local no mar em que o navio possa ficar ancorado, jogando ferro, ou em posição dinâmica”, explicou.
“Vila Velha não tem Porto, nem a Serra. Nós pré-identificamos, em conjunto, um ponto de atracagem indicado, mas não está oficializado. Ele ficaria entre a Ilha do Boi e o Porto de Tubarão, mas ainda não há estudos conclusivos para descartar a possibilidade de graves acidentes, em virtude da distância das pedras e das ilhas, por exemplo”.

LOCAL RECEPTIVO

Apesar de não haver qualquer previsão de retorno à rota dos cruzeiros, também se estuda um local receptivo para os navios realizarem apenas escalas em Vitória, sem, no entanto, possibilidade de embarque de novos turistas. Segundo o secretário, os locais indicados para receber as embarcações seriam os píeres que ficam próximos a um shopping de Vitória, na Enseada do Suá.
“Apesar de aparentemente ideais, os píeres necessitam de obras, seria uma operação complexa. Os passageiros passariam a descer no local, cerca de 4500 pessoas, em uma logística que levaria entre 3h e 4h, sem contar o tempo de permanência em terra e posterior reembarque, tudo isso em barquinhos que levam 120 pessoas por vez. Essa lógica precisa ser comprovada que funcionaria”.
De acordo com Uliana, a grande questão são os quesitos de segurança. “O navio formaria um grande paredão no mar. E não podemos esquecer a questão dos ventos em Vitória: o navio precisa provar que tem condição técnica de resistir a esse vento, sem ser empurrado em direção a Camburi ou às pedras da Ilha do Boi. Temos visto muitos acidentes ultimamente, como o da Itália, que tem tradição no segmento. As necessidades são rigorosas e ainda tem a interferência do Porto de Tubarão, porque os navios de cruzeiro entrariam na rota de outros navios que já atracam lá”, explicou.

2020 ESTÁ DESCARTADO

O Secretário de Turismo do Estado afirmou ainda que, mesmo na melhor das hipóteses de andamento nos preparativos para receber os navios de grande porte, não seria viável considerar 2020 como uma possibilidade, já que há que se levar em conta também o tempo de preparo mínimo dos trajetos e da venda dos pacotes.
“O tempo dessas coisas é de pelo menos oito meses a um ano. As pessoas compram bem antes, é um investimento caro, é dos passeios mais custosos que existem no turismo. Se a gente tivesse tudo aprovado em novembro, dificilmente teríamos um cruzeiro tão rápido. Em março já é finalizada a temporada de cruzeiros no Brasil, no momento em que as embarcações voltam para a Europa, para pegar o verão europeu. Nesse ano não teria condição mesmo”.

NAVIOS MENORES

Uma esperança no setor de turismo marítimo em Vitória seriam os navios menores. De acordo com o secretário, ainda em novembro de 2019 esteve prevista a vinda de um navio com capacidade para transportar 900 passageiros. “Ocorreu, no entanto, um infortúnio, tendo sido permitida uma greve para a época, então não aconteceu a parada em Vitória. Por outro lado, isso teria causado um rebuliço, seria como se estivéssemos retornando à rota, mas não, seria apenas uma parada extra, ou única”, revelou o secretário.
Já segundo o diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento, Inovação e Turismo de Vitória (CDV), Leonardo Krohling, no ano passado foi recebido um pequeno navio de luxo, com capacidade para 600 pessoas, nos meses de fevereiro e novembro, pelo centro da capital. A partir daí, é possível esperar que a embarcação volte ao Estado neste ano.

EXPECTATIVA DE RECEITA

A partir do navio de pequeno porte recebido em Vitória, Krohling consegue estimar a receita que entraria em caixa com o turismo movimentado por navios maiores. Segundo a autoridade, para ter certeza do valor, seria necessário ter certeza de quantos cruzeiros seriam trazidos. “Cada turista deixa pelo menos 400 reais na cidade, o que equivale dizer que cada navio com 4 mil passageiros pode deixar pelo menos R$ 1,6 milhão no Estado”, afirmou.

COMPLEXIDADE

Os entraves a serem superados para o recebimento das embarcações de cruzeiro esbarram em um ponto central: a segurança. De acordo com Uliana, o porte dos navios, somado às ilhas e pedras da geografia capixaba, são questões limitantes e a projeção para o futuro não é de otimismo, já que os navios serão ainda maiores, com capacidade para até seis mil passageiros.
“É muito complexo, envolve muito risco. Não temos um porto abrigado, como chamam, em mares calmos, sem ondas. Temos muita pedra, muita ilha. Mas nós vamos retomar as conversas nesse mês de janeiro, já pedi agenda com o novo comandante da Capitania. Temos muito interesse no assunto, mas precisamos sentar com os responsáveis. O Governo do Estado está assumindo esse papel de mediador para isso”, concluiu.
No mesmo sentido, Krohling finalizou dizendo que o destino Vitória é também bastante desejado pelas empresas de turismo marítimo. “Os navios saem de Búzios, no Rio de Janeiro, e só vão parar de novo em Salvador, claro que eles gostariam de incluir o Espírito Santo. Mas precisamos de aprovação da Capitania e da Marinha, que sempre pedem estudos diferentes, então ainda não conseguimos precisar uma data. A questão do ponto de fundeio é que não está clara ainda. A vantagem é que esses navios novos conseguem ficar parados sem âncora, graças ao sistema de geolocalização. Mas precisamos de estudos que ainda precisam ser finalizados”, disse.

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