Nas ruas de Vila Velha, uma perigosa disputa por passageiros põe em risco a vida de dezenas de pessoas. Na diária competição com o transporte público, que o próprio município reconhece ser precário, estão vans e micro-ônibus clandestinos, que tomaram conta das ruas da cidade.
Estima-se que são 80 veículos que transportam quase 5 mil pessoas por dia, que contam com apoio até de olheiros. Por R$ 100, em motos, esses espiões monitoram os pontos da cidade, de olho nas blitze municipais. Chegam a usar um coelho, um motorista que anda vazio para ser abordado pela fiscalização. Pelo WhatsApp, avisam os demais, que fogem para outras ruas.
São carros irregulares, com placas de outros estados, pneus carecas, para-choques remendados, bancos em farrapos, sem cinto de segurança ou equipamentos obrigatórios. A situação foi mostrada ontem em primeira mão pelo Gazeta Online. Já foram flagrados até motoristas com habilitação cassada, bêbados e com mandados de prisão em aberto, além de cobradores menores de idade.
O secretário de Trânsito de Vila Velha, Oberacy Emmerich, admite que enfrenta dificuldades para retirá-los das ruas. As fiscalizações são diárias, fazemos o transbordo dos passageiros, a quem explicamos os riscos, aplicamos multas administrativas e de trânsito.
De 2016 para 2017, o número de fiscalizações quase triplicou. Foram de 143 para 386. Na mesma toada aumentou o número de autos de infração. Mas é uma punição que não tem conseguido efeito junto aos motoristas clandestinos.
Foi o que constatou a equipe de reportagem de A GAZETA, que acompanhou na última semana blitze realizadas na cidade. Em uma delas, o motorista foi taxativo ao receber o auto de infração. Pode multar. O carro está em nome da minha mãe, que está morta. Nada vai ser pago, gritou, dando as costas ao guarda municipal e aos agentes da fiscalização.
Este motorista, que não quis se identificar ou dar entrevista, já acumula mais de R$ 8 mil em multas de trânsito, segundo informou a Guarda Municipal. Na mesma hora, também recebeu uma multa administrativa de R$ 1.400 por ter sido flagrado, pela terceira vez no mês, fazendo transporte irregular de passageiros.
E ele não foi o único. Pela manhã, Jurandir Alves Martins, foi parado na fiscalização. Estava sem passageiros e não foi multado. Na tarde do mesmo dia caiu em outra fiscalização. Desta vez estava com a van lotada. Ele argumenta que é motorista profissional e que está desempregado. São quase R$ 5 mil de multas por mês, relata. Ao final, foi multado e liberado.
A concentração das vans clandestinas é maior entre os bairros da Glória, Aribiri, Paul, Santa Rita, Vila Garrido e Praia da Costa. E nas principais vias, como a Avenida Lindenberg e Jerônimo Monteiro. Começam por volta 6 horas e ficam até às 22 horas. Cobram a mesma tarifa que o transporte regular, R$ 3,20.
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De acordo com a prefeitura, são constantes os conflitos com os motoristas de ônibus. Eles ameaçam os motoristas, entram na frente dos ônibus, aliciam os passageiros, relata o secretário.
DADOS DAS OPERAÇÕES
2018
Operações: 45
Abordagens: 56 veículos irregulares
Multas: Aplicadas por infringirem a lei municipal 4.449/2006, que trata do transporte remunerado de pessoas sem licenciamento. A infração é de R$ 800.
Infrações: Há autuações por infrações de trânsito (inciso 8º do artigo 231 do Código Brasileiro de Trânsito), que trata do transporte irregular, no valor de R$ 88.
Blitze do dia 7 de março: Quatro autos por infração à Lei 4.449, de 2006.
2017
Operações: 386
Autos de infração: 289
2016
Operações: 143
Autos de infração: 112
2015
Operações: 176
Autos de infração: 190
Participam equipes de fiscalização de transporte, com o apoio de agentes da Guarda Municipal.