Há cerca de quinze dias, moradores do bairro Cobilândia, em Vila Velha, estão convivendo com o medo de ter dengue. Isso porque dezenas de pessoas próximas à Rua Fluviópolis, a mesma onde tem uma unidade de saúde e também perto de um valão, estão com os sintomas ou já foram diagnosticadas com dengue.
O problema não é novo. O valão é apontado como um dos motivos do problema e muitos moradores relatam que diversas casas estão abandonadas e com quintal sujo ou cheio de lixo. A água parada nesses locais ajuda o mosquito aedes aegypt a se proliferar. Além de dengue, há moradores com chikungunya e zika vírus, também transmitidos pelo inseto.
Rua da dengue preocupa moradores em Vila Velha
A dona de casa Adriana Gomes dos Santos, de 43 anos, começou a ter uma dor forte no corpo na semana passada. A dor evoluiu para febre forte, depois dor de cabeça e vômito, até ser diagnosticada com dengue. O roteiro é o mesmo de vários outros vizinhos.
“Tem uns 15 dias que as pessoas vem tendo dengue. Cada dia vai aumentando. Começou com um vizinho, depois foi com outro e assim foi. Agora praticamente a rua quase toda teve dengue. Está acontecendo não só em nossa rua, mas em toda a redondeza. São várias ruas”, explicou.
Adriana e outros vizinhos relatam que a equipe de vigilância epidemiológica de Vila Velha visitou várias residências e achou foco de dengue na região. Até em uma delegacia que está sendo reformada foram encontrados focos de mosquitos e larvas.
O valão que corta o bairro também é outro problema, segundo o professor Wagner Henrique de França, de 38 anos. A mãe e o irmão dele, a dona Marisa, de 61 anos, e o Flávio, de 37 anos, estão com dengue. Eles moram de frente para o que um dia já foi um rio. “Não é a primeira vez que isso acontece. Ela já teve dengue e até leptospirose nas enchentes. Aqui não temos como controlar os vizinhos. O valão está aí e o mato fica alto. Aqui nessa área perto da delegacia sempre tem esse problema. Todo ano”, relatou.
POSTO DE SAÚDE LOTADO
Na mesma rua onde há diversos relatos de dengue, existe um posto de saúde. Naturalmente todo mundo corre para lá quando sente algum sintoma, mas com tantas pessoas aguardando atendimento, há relatos de que o local tem ficado fechado alguns dias, porque não consegue receber outros pacientes.
A mãe da autônoma Alcilene Sobral Bravin, de 36 anos, a dona Enestina, de 69 anos, está com os sintomas desde a semana passada, mas ainda não foi diagnosticada. A suspeita é de chikungunya. Quando chegou no posto pela primeira vez, a unidade de saúde estava com muita movimentação e o atendimento estava demorando muito. “O fluxo de pessoas é muito grande. Cada hora chega uma pessoa diferente, em cadeira de rodas, chorando, desmaiando”, relatou.
Nesta quinta-feira (02) havia muitas pessoas esperando atendimento, mas a unidade de saúde não estava fechada. Pelo menos seis pessoas do lado de fora disseram para a reportagem que estão com suspeita de dengue. A dona de casa Cleuza Ferreira da Silva, de 56 anos, era uma delas e mora na mesma região. “Eu estou desde segunda com muita febre e dor. O paracetamol não ajudou, então eu vim ver o que é. Espero que a prefeitura mande o fumacê porque não está passando e tem muito mosquito”, reclamou.
PREFEITURA DE VILA VELHA
Demandada pela reportagem do Gazeta Online, a prefeitura de Vila Velha enviou dados em relação à dengue, entre 2017 e 2019. Em todo o ano de 2018 foram 1.261 casos da doença. Só este ano, até abril, já foram 1.810 casos, no total. Em todo o ano de 2017 foram 1.702 casos. Sobre óbitos, até o momento uma morte foi registrada por causa da doença este ano. Em 2018 foram 3 casos e, em 2017, foram 4 casos.
Sobre a prevenção, a prefeitura de Vila Velha explicou que realiza visitas domiciliares para verificar possíveis focos de dengue e aplicar o larvicida em áreas propícias dentro das casas. As visitas domiciliares seguem um cronograma, sendo quatro visitas de agentes por ano. Porém no verão as visitas são reajustadas para áreas com mais proliferação do mosquito. Há também ações em unidades de saúdes, escolas e centros comerciais e comunitários para conscientizar a população.
A prefeitura também declarou que realiza a nebulização, com carros fumacês e homens a pé. Não foi informado especificamente se haverá alguma ação especial para o bairro Cobilândia, onde vários casos estão sendo registrados.