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Operação Lama Cirúrgica

Quadrilha internacional vendia material usado para hospitais do ES

Conforme mostrou o Fantástico deste domingo (28), o Metropolitano é um dos hospitais que acabou comprando o material reutilizado
Redação de A Gazeta

Publicado em 

29 jan 2018 às 09:32

Publicado em 29 de Janeiro de 2018 às 09:32

Material apreendido pela polícia de uma empresa que vendia itens cirúrgicos reutilizados em hospitais Crédito: Kaique Dias/Arquivo
A Operação Lama Cirúrgica, deflagrada há duas semanas, identificou um detalhe ainda mais preocupante para quem se submeteu a cirurgias no Espírito Santo: a venda de materiais já utilizados, que deveriam ter sido descartados, para uso cirúrgico, tem por trás uma quadrilha com tentáculos nos Estados Unidos. A apuração é do repórter Roger Santana, da TV Gazeta, e foi revelada ontem à noite pelo Fantástico, da TV Globo.
O material usado era revendido para hospitais privados, planos de saúde e médicos da Grande Vitória, a princípio, por duas empresas: a Alfa Medical e a Golden Hospitalar. Uma terceira empresa, a Esterileto, teria se associado ao esquema esterilizando materiais antes da revenda.
O Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc), da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), descobriu que um dos hospitais, o Metropolitano, na Serra, teria utilizado materiais que foram reprocessados mais de 2.500 vezes, inclusive agulhas e fios de sutura.
As investigações começaram em outubro, após uma denúncia anônima, e a polícia chegou ao hospital a tempo de impedir que os materiais cirúrgicos descartáveis fossem usados ilegalmente na dona de casa Maria de Lourdes Cardoso, paciente que iria se submeter a um procedimento no ombro.
“Chegou a enfermeira e disse que não ia ser possível fazer mais a cirurgia, porque o material que era para vir para mim não tinha chegado”, disse ela, que na época não sabia a verdadeira razão do cancelamento.
“A gente luta para fazer (a cirurgia) e ainda passa umas coisas dessas. Sem saber, né? Então eu vou confiar em quem mais?”, desabafou a paciente.
Os empresários Gustavo Deriz Chagas e Marcos Roberto Krohling Stein e o enfermeiro Thiago WaiynBus, da empresa Golden Hospitalar, que vendiam os produtos como se fossem novos, foram presos. Buscas também foram feitas na Golden e na empresa Esterileto.
“Esses irresponsáveis utilizam material cuja importação é proibida e utilizam materiais em cirurgia cujo reprocessamento é proibido”, disse o secretário de Segurança do Estado, André Garcia.
Operação Lama Cirúrgica foi destaque de A Gazeta no dia 17 Crédito: Arquivo
Polícia Federal
O secretário de Segurança, inclusive, acredita que o esquema vai além das divisas do Espírito Santo. Ele quer que a Polícia Federal entre no caso. “Claramente essa não é uma questão que está limitada às divisas do Espírito Santo”, alegou.
Na busca feita pelo Nuroc na sede da Golden Hospitalar, a polícia encontrou carimbos de três médicos e um receituário assinado e carimbado por um quarto médico, só que em branco. A prática está sendo considerada suspeita e os quatro estão sendo investigados.
André Garcia: "Esses irresponsáveis utilizam material cuja importação é proibida, e materiais em cirurgias cujo reprocessamento é proibido" Crédito: Reprodução TV Gazeta
Segundo a Vigilância Sanitária da Serra, os riscos vão desde uma infecção por vírus, por hepatite, até micobactéria, danos que muitas vezes só vão aparecer daqui a anos. “Os problemas podem surgir daqui até 10 anos”, acrescentou Geane Sobral, da Vigilância Sanitária municipal.
TELEFONEMA REVELOU PREOCUPAÇÃO
Um telefonema gravado com autorização da Justiça revelou que Marcos Stein, um dos donos da Golden Hospitalar, relatou a outro integrante da quadrilha sua preocupação com as suspeitas levantadas pela Operação Lama Cirúrgica.
“Eu passei um problema agora com a Vigilância Sanitária e outros órgãos, eles estão no meu pé”, relatou o empresário. O interlocutor, não identificado, disse, então, que não teria como fornecer notas fiscais dos produtos.
“Eles não aceitam devolução e eu já paguei sobre o transporte desse material. A gente vende desse jeito. Deixando claro que não é um material legal. O mercado sabe”, disse.
O OUTRO LADO: O QUE DIZEM OS ACUSADOS
Os advogados de Gustavo Deriz Chagas e Marcos Roberto Krohling Stein, donos da Golden Hospitalar, afirmaram para a reportagem do Fantástico que a empresa nunca forneceu “materiais, produtos ou serviços impróprios ou inapropriados para uso devido, a quaisquer de seus clientes”.
Em nota, o Hospital Metropolitano disse que suspendeu o recebimento de produtos que eram adquiridos por planos de saúde das empresas mencionadas no inquérito. E está apurando a responsabilidade dos profissionais citados nas investigações.
Fachada do Hospital Metropolitano, alvo de operação Crédito: Carlos Alberto Silva/arquivo
O médico Nilo Lemos Neto, cujo receituário foi encontrado na sede da Golden Hospitalar, disse que o mesmo tinha a finalidade de cumprir o fluxo burocrático para confirmação de materiais que ele efetivamente havia utilizado em cirurgia específica. Antes de enviar nota, porém, ele disse por telefone que após uma cirurgia havia entregado o receituário para um auxiliar.
Os advogados do enfermeiro Thiago Uaín, preso desde o dia 17, quando foi deflagrada a Lama Cirúrgica, disse que ele é inocente.
A dona da empresa Esterileto, Mônica Marinho, disse que a culpa é de um ex-sócio. “O que houve foi uma falha pela gestão antiga da entrada desse material na empresa. A gente está sendo até muito chato com os clientes quando alguém tenta enviar para gente alguma coisa que não pode ser processada”.
A reportagem também entrou em contato por telefone e nos locais de trabalho dos médicos que admitiram que são os donos dos carimbos encontrados na Golden.
Eduardo Ramalho e Rodrigo Souza não retornaram. Já o advogado do médico Marcos Robson Alves Júnior disse que ele apresentou para a polícia “documentos que comprovam sua idoneidade no que tange a relação médico e paciente. E que está à disposição para esclarecer quaisquer fatos para a conclusão da investigação”.
O Fantástico não conseguiu o contato com o ex-sócio da Esterileto, Carlos Eduardo Rodrigues Soares. Já a Alfa afirmou que “os envolvidos na investigação trabalharam na Alfa e foram demitidos”.
Carlos Alberto Silva/arquivo Fachada do Hospital Metropolitano, alvo de operação
 

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