A Polícia Civil informou que o homem de 42 anos preso em Cariacica, na quinta-feira (20), investigado por crimes sexuais contra crianças, é professor e coordenador de escola e atua em duas redes públicas da Grande Vitória. Segundo a corporação, ele comprava pacotes com imagens de abuso sexual infantil por R$ 10. Ao menos 119 imagens foram identificadas no celular dele.
De acordo com a Polícia Civil, o homem trabalhava como professor em escolas municipais de Vila Velha e como coordenador em uma unidade de ensino de Cariacica. Nas escolas, ele tinha contato com crianças e adolescentes de 6 a 16 anos.
O titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), delegado Brenno Andrade, detalhou o caso durante uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira (21).
Segundo o delegado, a investigação começou após a Polícia Civil receber, em abril deste ano, um relatório do Centro Nacional de Crianças Abusadas e Exploradas dos Estados Unidos apontando que uma pessoa residente em Cariacica estaria baixando material de abuso e exploração sexual infantil.
“Em abril desse ano chegou um relatório do Centro Nacional de Crianças Abusadas e Exploradas dos Estados Unidos de que um indivíduo residente em Cariacica estava baixando material de abuso e exploração sexual infantil. E apontou que, entre eles, tinham dois vídeos que poderiam indicar a produção desse material”, detalhou Brenno Andrade.
Durante a análise, no entanto, os investigadores concluíram que os vídeos não haviam sido produzidos pelo homem.
Segundo a polícia, as imagens pertenciam a uma colega de trabalho do investigado. Ela teria gravado as partes íntimas da própria filha para mostrar a uma médica e armazenado os vídeos no computador. Posteriormente, esqueceu de apagar os arquivos e entregou o equipamento ao homem para que ele o formatasse.
De acordo com o delegado, ao encontrar o material, o investigado salvou os arquivos.
A Polícia Civil também informou que o homem afirmou que comprava pacotes de imagens em grupos do aplicativo Telegram. Segundo o delegado, ele alegou que adquiria conteúdos de adultos e que imagens envolvendo crianças eram enviadas por engano.
“Segundo ele, a última compra teria ocorrido em abril e falou aquela desculpa que a gente já ouviu várias vezes: que ele comprou imagens de adulto e vieram fotos infantis, que ele não teria pago”, afirmou o delegado.
As escolas onde o homem trabalhava ainda serão notificadas pela Polícia Civil.
O investigado foi levado à unidade policial e, posteriormente, encaminhado ao sistema prisional.
“Ele é investigado pelo crime de armazenamento, mas vamos verificar ainda se eventualmente ele fez um compartilhamento, que é um outro crime, com a pena maior e, somadas, dão mais 10 anos de prisão”, finalizou Brenno Andrade.
Apesar de a Políca Civil não mencionar investigação envolvendo a conduta do professor nas escolas, a reportagem de A Gazeta procurou as prefeituras de Caricacica e Vila Velha para se posicionarem sobre o caso, mas não obteve retorno até a última atualização desta matéria.