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Máfia chinesa no ES: MP denuncia integrantes e vítimas falam do terror

Três chineses foram denunciados por extorsão a um comerciante de Cariacica que se recusou a pagar uma extorsão de R$ 200 mil

Publicado em 06 de Fevereiro de 2018 às 17:57

Vilmara Fernandes

Publicado em 

06 fev 2018 às 17:57
Máfia Chinesa exige R$ 200 mil de casal que tem loja em Campo Grande Crédito: Fernando Madeira
Três chineses que fazem parte de um grupo criminoso conhecido como máfia chinesa foram denunciados nesta terça-feira (6) pelo Ministério Público Estadual por crime de extorsão, com grave ameaça e violência. A vítima foi um comerciante, também chinês, proprietário de uma loja, em Campo Grande, Cariacica, que foi espancado. Dele queriam R$ 200 mil.
A denúncia feita pelo promotor Sérgio Alves Pereira aponta que a organização a que os denunciados Xia Chem, Zhang Hui e Anhui Wu fazem parte —  máfia chinesa —, tem sede em São Paulo. A organização exerce influência sobre as pessoas da comunidade chinesa, principalmente os empresários do ramo de comércio popular, através de ameaças.
Os que se recusam a pagar as supostas taxas de proteção — para garantirem que não sejam agredidos ou até mortos —, acabam vítimas de sequestro para que um familiar providencie o dinheiro cobrado, relata o processo. Em São Paulo, na região da Rua 25 de Março,  há relatos até de homicídios, contrabandos e extorsões envolvendo a Máfia Chinesa.
Os três denunciados foram presos em flagrante, e tiveram suas prisões convertidas em preventiva. A eles a Justiça estadual também negou o pedido de relaxamento de prisão, com o argumento de que existem provas dos crimes praticados e de que ainda existe risco para a vida da vítima. Dois dos acusados, segundo a Justiça, estariam ilegais no País.
OS DENUNCIADOS
Xia Chem | Casado, possui dois filhos e uma loja em Fortaleza, Ceará
Zhang Hui |Solteiro, não possui filhos e trabalha em uma loja na cidade de São Paulo
Anhui Wu | Solteiro, não possui filhos e também trabalha em uma loja na cidade de São Paulo
CRIME
A invasão da loja da vítima no ES ocorreu em 15 de janeiro deste ano. O proprietário, de 44 anos, e a esposa, que possuem o comércio há sete anos, se preparavam para fechar o estabelecimento quando os sete bandidos chegaram. Além dos três detidos, outros quatro que participaram da ação conseguiram fugir com a chegada da polícia.
Consta no processo que ao chegarem à loja exigiram que o proprietário pagasse a quantia de R$ 200 mil para que o estabelecimento continuasse funcionando. Se o valor não fosse pago, a vítima seria sequestrada até que a família pagasse o valor pedido.
Diante da recusa, os bandidos começaram a quebrar a loja e agredir o comerciante que gritou, pedindo socorro. Populares que passavam pelo local, achando tratar-se de um roubo, agrediram os três bandidos e os amarraram até a chegada dos policiais militares. Foi o momento em que os outros quatro, não identificados, conseguiram fugir.
COMO FICOU A LOJA
Segundo o comerciante, há seis meses ele começou a receber ligações de um grupo de chineses, que teria pedido para que fossem a São Paulo para uma "conversa". No dia 13 de janeiro, o grupo de chineses chegou em Vitória e mandou uma mensagem com o endereço do hotel onde estavam para o casal, pedindo para que os encontrassem. Mas o casal preferiu não ir. Os bandidos então resolveram ir até a loja dele, no dia 15 de janeiro, em Campo Grande.
O comerciante relatou à polícia ter sido agredido com tapas no rosto, tendo perdido um dente, além de ter sido ameaçado com uma arma de fogo. Contou ainda que os bandidos quebraram mercadorias que estavam expostas na sua loja, provocando-lhe danos materiais em torno de R$ 100 mil.
AS VÍTIMAS
Família alvo da crime Crédito: Fernando Madeira | GZ
Após 12 anos no Brasil e há sete vivendo do comércio em Campo Grande, Cariacica, as vítimas ameaçadas e agredidas pela máfia chinesa querem se desfazer do patrimônio que conquistaram com tanto trabalho. Com medo, o casal colocou a loja à venda com todos os produtos existentes no local por um preço bem abaixo do mercado. Agora, eles só querem esquecer toda violência que sofreram.
O comerciante agredido, de 44 anos, pouco fala português. Mas fez questão de mostrar as fotos da marca da violência que sofreu. Ele chegou a perder um dente com os socos que recebeu e precisou colocar um implante. Já a mulher dele, de 40 anos, conversou com a reportagem.
A ENTREVISTA
"Trabalhamos muito para sermos chantageados por pessoas preguiçosas que querem viver as custas dos outros. Nosso desespero em vender a loja é tanto, que estamos pedindo um preço bem abaixo do mercado", desabafam as vítimas Crédito: Fernando Madeira | GZ
Vocês sofreram com ameaças durante quanto tempo até serem agredidos?
Foram seis meses de ameaças. Eles queriam que a gente fosse a São Paulo conversar se quiséssemos continuar trabalhando no Brasil. Como já tínhamos ouvido falar da máfia, não fomos. Falamos que se eles quisessem falar algo, que viessem até nós. Mas eles ameaçavam de sequestro e morte. Diziam que se a gente quisesse continuar trabalhando, teríamos que pagar R$ 200 mil.
Como foi no dia do crime?
Primeiro eles mandaram mensagem dizendo que estavam aqui. Passaram o endereço do hotel onde estariam hospedados, em Jardim da Penha, Vitória. Queriam que a gente fosse lá. Como nos recusamos, eles vieram até a loja. Era um domingo, mas como trabalhamos todos os dias, a loja estava aberta. Três homens chegaram cobrando o dinheiro. Como recusamos, eles começaram a quebrar tudo. Depois agrediram meu marido e tentaram sequestrá-lo. Mas eu gritei e os feirantes vieram nos ajudar. Todo mundo conhece a gente aqui.
O que mudou na vida de vocês depois disso?
Ficou o trauma. Hoje nós temos medo o tempo todo, pois sei que grande parte da máfia ainda está solta. Tenho seguranças na porta da loja e até na porta de casa. Meus dois filhos de 12 e 14 anos que moram na China não podem mais nos visitar, como faziam antes. Pois tenho medo que façam algo com eles.
Voltaram a procurar vocês?
Não ligaram ou mandaram mais mensagens. Mas na mesma semana do crime integrantes da máfia vieram rondar aqui. Um desses homens estava com um carro com placa adulterada. Em outra ocasião, uma mulher ficou nos fotografando, quando a abordamos, ela disse que estava interessada em comprar uma loja na região. Mas não acredito. Conheço todos aqui, principalmente os chineses. Essas pessoas que ficaram rondando aqui são pessoas estranhas.
O que pretendem fazer agora?
Colocamos a loja à venda. Não queremos mais o comércio. É muito triste porque a gente trabalha suado, de domingo a domingo. Mesmo no feriado, nós nunca fechamos. Trabalhamos muito para sermos chantageados por pessoas preguiçosas que querem viver as custas dos outros. Nosso desespero em vender a loja é tanto, que estamos pedindo um preço bem abaixo do mercado. Até as mercadorias eu estou vendendo mais barato que o valor que comprei. Depois da venda ainda não decidi o que vou fazer. Porque se aqui tem essa máfia, na China tem muito mais. Nunca pensei em passar por isso.
'ELES SÃO INOCENTES', DIZ ADVOGADA
Procurada, a defesa dos três acusados Xia Chem, Zhang Hui e Anhui Wu afirmou que a versão do trio é bem diferente da apresentada pelos comerciantes. Os acusados afirmam que eles é que foram vítimas.
“Meus clientes apresentam uma versão completamente oposta. Eles contam que eles é que foram ameaçados com armas, agredidos e roubados pelo casal. Levaram um cordão e um celular deles”, afirmou a advogada Lilian Maciel.
A advogada questiona ainda sobre as imagens de videomonitoramento da loja que flagrou a ação.
“Tudo foi filmado e a inocência dos meus clientes será comprovada no decorrer do processo”. Lilian Maciel completou ainda que ainda não teve acesso à denúncia do Ministério Público.
“A denúncia chegou nesta terça no Cartório e só teremos acesso na quarta. Depois de ler tudo iremos voltar a conversar com a imprensa para dar nossa versão”, disse.

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