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Inteligência artificial já é realidade nos hospitais do Estado

Na área Saúde, tendências mundiais em inovação, como impressão 3D, telemedicina e inteligência artificial já são experimentadas no Espírito Santo, inclusive no Sistema Único de Saúde, o SUS

Publicado em 17/02/2018 às 19h48

Não é raro ouvir por aí que as tecnologias determinarão os rumos do futuro. Mas o que nem todos sabem é que, diferente dos filmes de ficção científica, muitas delas já são reais, úteis e estão cada vez mais próximas. Na área Saúde, tendências mundiais em inovação, como impressão 3D, telemedicina e inteligência artificial já são experimentadas no Espírito Santo - inclusive no Sistema Único de Saúde, o SUS - com a promessa de tornar os diagnósticos mais precisos, promover mais qualidade vida para os pacientes e auxiliar na formulação de políticas públicas.

Entre os benefícios da união entre tecnologia e Saúde, a personalização dos tratamentos ganhou destaque a partir de impressoras capazes de produzir órteses, próteses e outros dispositivos em três dimensões. No Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam), ligado a Ufes, elas dão forma a equipamentos que auxiliam na recuperação de pessoas com deficiências físicas e motoras.

Apoio

“Se a pessoa sofre um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e não estende o punho, à medida que ela faz a terapia, os movimentos vão sendo recuperados, mas é preciso fixar o punho nas novas posições. Assim, nós podemos produzir uma órtese sob medida para ela vestir e garantir a fixação. Do mesmo modo, fazemos engrossadores para quem tem dificuldade de segurar objetos, como talheres, e copos cortados para que pacientes que sofrem de doença de Parkinson possam se alimentar com mais independência”, elenca o chefe do setor de Pesquisa e Inovação, Guilherme Crespo.

Criador do projeto, Crespo construiu por conta própria as duas impressoras 3D que existem no laboratório. Conforme ele explica, os pacientes recebem os equipamentos no setor de Terapia Ocupacional, onde também aprendem a utilizá-los. “A ideia é gerar conhecimento científico ao mesmo tempo em que beneficiamos a comunidade. Além disso, desenvolvemos moldes usados em cirurgias de redesignação sexual e de formação de neo-vaginas”, acrescenta.

De acordo com Crespo, a impressão 3D pode ser utilizada em todas as áreas médicas. No Brasil, instituições como o Centro de Tecnologia e Informação Renato Ascher, já imprimem moldes de órteses para implantes de substituição de nariz, mandíbula, ouvido externo e calota craniana.

Na Ufes, Crespo já pensa em avanços. “Queremos criar próteses, como já existem em alguns locais, que funcionam a partir de receptores que enviam sinais do cérebro para a realização dos comandos. Nós já iniciamos um projeto para desenvolver um material específico para os moldes das cirurgias de redesignação sexual. Isso permitirá o uso dos moldes durante as cirurgias e não apenas ambulatorialmente, além de reduzir os riscos de complicações pós-operatórias”.

Odontologia

Nos consultórios odontológicos, a impressão 3D vem sendo utilizada para mostrar aos pacientes como será o resultado final dos tratamentos. Segundo a dentista Catarina Riva, todo o planejamento é feito no computador conforme as necessidades do cliente. “Depois imprimimos esse molde em 3D. Usando um tipo de resina, nós envolvemos a arcada do paciente nesse molde e temos uma provisória, o mockup. Isso reduziu muito o risco de erros”, avalia ela.

Antes de colocar lentes de contato nos dentes, a empresária Patrícia Lorraine pôde testar  como ficaria o resultado final através da impressão 3DTestou e aprovou

Antes de colocar lentes de contato nos dentes com a ajuda da dentista Catarina Riva, a empresária Patrícia Lorraine Pimenta pôde testar como ficaria o resultado final através da impressão 3D. “Usei o mockup para me adaptar e achei ótimo. Eu não tinha noção de como ficaria e isso me deu mais segurança”, disse Patrícia.

Veja como funcionam as impressoras 3D no Hucam

 

Diagnóstico médico e consultas à distância

Imagine como seria mais rápido, mais barato e menos estressante poder consultar a opinião de um médico especialista de outra cidade ou até mesmo de outro estado sem precisar se deslocar. É justamente isso o que as tecnologias de informação já podem fazer pela Saúde.

Através de programas de computador e de câmeras, a chamada Telemedicina é aplicada no Estado por instituições como a Ufes e a Emescam, permitindo que profissionais se comuniquem à longas distâncias, além de garantir a troca de informações entre estudantes e pesquisadores. De acordo com o diretor de Tecnologia da Telemedicina da Emescam, João Carlos Pandolfi, uma sala montada dentro do Hospital Santa Casa já rende bons frutos.

“Desenvolvemos um sistema de medicina interativa. Nele, o paciente chega com um problema em outro hospital e o médico generalista o repassa para especialistas que estão de plantão na Santa Casa. Também criamos um aplicativo a partir do qual o médico envia informações para o servidor, que podem ser acessadas pelos especialistas da Santa Casa tanto por aplicativo, quanto pelo computador”, explica João. No entanto, ele pondera que as interações ainda ocorrem em baixo volume por falta de financiamento.

Recentemente, a Emescam passou a integrar a Rede Universitária de Telemedicina (Rute), que reúne universidades de todo o país e da qual a Ufes e a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) também participam. “Isso nos possibilita disseminar conhecimento da parte assistencial e de pesquisa através de webconferências”, afirma a professora Rosane Ernestina Mageste.

O coordenador do curso de Medicina da Emescam, Luís Renato da Silveira Costa, aponta ainda um outro recurso que pode, inclusive, ser compartilhado entre médicos e fisioterapeutas por meio da sala de Telemedicina. Trata-se de um grande computador existente na Santa Casa, que permite que a imagem de exames, como tomografias e ressonâncias, sejam reproduzidas em até quatro dimensões. “Podemos rotacionar a imagem e vê-la por diferentes ângulos. Com a impressora 3D podemos ainda imprimir essa imagem. Isso nos permite chegar muito mais preparados às cirurgias”, afirma.

Prontuário eletrônico avalia risco de pacientes

Baseado em algoritmos de inteligência artificial, um prontuário eletrônico desenvolvido para o Hospital Santa Casa é capaz de medir, sozinho, o grau de risco dos pacientes que são encaminhados para o setor de Cardiologia. O novo sistema ainda avalia a eficiência dos medicamentos utilizados de acordo com cada caso, direcionando a evolução dos tratamentos.

Conforme explica o diretor de Tecnologia de Telemedicina da Emescam, João Pandolfi, o aplicativo Santa Data ainda está em fase de testes, mas a expectativa é que até o meio do ano já possa ser utilizado também nas áreas de Dermatologia e Pneumologia. “Queremos que o projeto seja levado a outros hospitais”, pontua.

Na Ufes, um outro projeto de inteligência artificial já começou a ser desenvolvido. Segundo o professor Guilherme Crespo o seu objetivo é criar uma rede neural por meio de algoritmos, que possa fazer diagnósticos pelo reconhecimento de imagem. “Ela poderia olhar para uma lesão da pele e identificar se é um câncer ou não”, explica.

Os recursos

Tecnologia 3D - Imprimindo em três dimensões

No Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam), aparelhos fabricados em impressoras 3D são aplicados pelo setor de Terapia Ocupacional para auxiliar pessoas com deficiências físicas e motoras a recuperarem seus movimentos ou ganharem mais independência

As impressoras também imprimem moldes que são usados em cirurgias de redesignação sexual e formação de neo-vaginas.

Na Emescam, a impressora 3D é utilizada nas aulas de estudantes e também por especialistas para reproduzir partes do corpo humano. Ao analisá-los em tamanho e forma real, é possível garantir mais precisão nos procedimentos

Vendo em quatro dimensões

No Hospital Santa Casa, ligado à Emescam, um grande computador é capaz de reproduzir imagens de exames em até quatro dimensões. É possível rotacionar e ver as imagens por vários ângulos

Inteligência artificial

Aplicativo Santa Data

Baseado em algoritmos, um aplicativo de prontuário eletrônico está em fase de testes no hospital Santa Casa. Ele é capaz de identificar o nível de risco dos pacientes do setor de Cardiologia e monitorar a eficiência dos medicamentos

Na Ufes

Um projeto de inteligência artificial está sendo iniciado. A ideia é criar uma rede neural capaz de diagnosticar doenças pelo reconhecimento de imagens.

Algoritmos

Pesquisadores do grupo de pesquisa “Tecnologia de Informação e Comunicação Aplicada à Saúde”, desenvolvem um projeto para utilizar algoritmos no cruzamento de informações na área da Saúde. Está sendo discutida a ideia de utilizar o sistema para auxiliar na Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde (Sesa).

Telemedicina

O que é

Com o uso de tecnologias de informação, os especialistas do hospital Santa Casa conseguem se comunicar com médicos de outros locais, auxiliando no diagnóstico de pacientes. Isso é feito por meio de webconferências e aplicativos, por exemplo.

Rede

Assim como a Ufes e a Sesa, a Emescam passou a integrar a Rede Rute - Rede Universitária de Telemedicina, utilizada para troca de conhecimento de estudantes e pesquisadores

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