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Famílias sem moradia e com crianças pequenas ocupam avenida na Serra

Todas elas foram despejadas pela prefeitura de um terreno que fica no mesmo bairro

Publicado em 13/08/2018 às 15h37

A faxineira Camila Gomes Dias, de 33 anos, tem sete filhos e há cerca de um mês foi despejada de onde morava por não conseguir pagar o aluguel. Desde então, ela vive na rua ou em ocupações e faz parte de 27 famílias que estão acampadas em uma calçada da Avenida Brasil, em Novo Horizonte, na Serra, após a desocupação de um terreno no mesmo bairro. 

Famílias sem moradia e com crianças pequenas ocupam avenida na Serra. Crédito: Fernando Madeira | GZ
Famílias sem moradia e com crianças pequenas ocupam avenida na Serra. Crédito: Fernando Madeira | GZ

Um dos filhos de Camila, a Miriam, tem só seis meses de idade. A única receita que ela tem é do Bolsa Família, de R$ 380 para todas as sete crianças. “É difícil. Tinha um mês e pouco que eu estava lá (no terreno). Sempre falta alguma coisa porque a gente tem que comprar fralda também. O pai de dois filhos é falecido e dos outros cinco ajudam quando conseguem. Um aluguel social já ajudaria a gente”, explica.

O terreno da prefeitura onde aconteceu a desocupação fica no mesmo bairro, na Rua Cisne. O despejo começou há cerca de duas semanas e terminou semana passada. A prefeitura alegou que a área é ambiental. No local ainda estão restos de móveis e dos barracos.

Na semana passada moradores sem-teto fizeram o pedido de uma solução por parte da prefeitura. Todos eles estão na calçada da esquina da mesma rua do terreno desocupado. Por lá, há também crianças e adolescentes. As mães garantem que, mesmo com a situação, as crianças estão na escola, mas existe o medo de acontecer alguma coisa com a exposição ao tempo - sol ou chuva - apesar das lonas que foram improvisadas.

Em calçada na Serra, famílias sem lar se ajeitam com lonas para dormir. Crédito: Fernando Madeira | GZ
Em calçada na Serra, famílias sem lar se ajeitam com lonas para dormir. Crédito: Fernando Madeira | GZ

Uma das organizadoras do movimento, que prefere não se identificar por medo de ameaças, lembra que praticamente todos os ocupantes pagavam aluguel, mas sem condições de arcar com os custos acabaram despejados.

“A gente se alimenta aqui através de doação. Algumas pessoas têm casa de parentes para tomar banho. Só tem família de bem e pessoas necessitadas. Estamos aguardando uma resposta. Se não tiver, vamos ocupar a prefeitura”, declarou.

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FAXINEIRA SAIU DA BAHIA E ACABOU SEM MORADIA

A faxineira Simara Oliveira dos Santos, de 32 anos, veio da Bahia há cerca de quatro meses com o esposo e dois filhos. Tudo porque não consegue emprego há dois anos. Ela acabou ficando sem moradia no Estado e se emociona ao falar.

A gente estava com sonho de sair do aluguel e chegaram destruindo todos os barracos. Estamos recebendo doação. Mesmo com dificuldade, existem pessoas que mandam o alimento para nossas crianças. Mas estamos passando por friagem e chuva. As pessoas olham de fora e não sabem a realidade que estamos vivendo aqui

Por nota, a Prefeitura da Serra informou que as secretarias de Habitação e Assistência Social estão à disposição para receber as famílias e encaminhar soluções. No entanto, segundo a administração municipal, das 27 famílias que estavam na área, apenas sete procuraram a prefeitura para se inscrever no programa habitacional Minha Casa Minha Vida. A prefeitura reforçou ainda que a área de onde as  famílias foram despejadas é de proteção ambiental. 

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