Publicado em 11 de agosto de 2018 às 13:15
Um dia depois do acidente em Domingos Martins, a capitã da Polícia Militar Elizabeth Pereira Bergamin, que pilotava o helicóptero em que estava o governador Paulo Hartung, afirmou que está bem. Na manhã deste sábado (11), a capitã da PM conversou rapidamente com a reportagem do Gazeta Online, mas não deu detalhes sobre o acidente.>
"Estou bem. Peço desculpas, mas não posso falar nada sobre o acidente de ontem. Fui orientada a não falar", disse Elizabeth, por telefone.>
A reportagem também fez contato com o capitão Vargas, copiloto do helicóptero, que a exemplo da colega, afirmou não poder dar declarações à imprensa sobre o ocorrido na tarde dessa sexta-feira (10).>
O ACIDENTE>
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A aeronave Harpia 05, modelo Helibrás AS-350B2 Esquilo da Polícia Militar, decolou às 16h18 da Residência Oficial da Praia da Costa, em Vila Velha. Embora o compromisso não estivesse na agenda pública do dia, o governador Paulo Hartung seguia para um festival de cinema realizado em Domingos Martins, de acordo com a assessoria de imprensa.>
Segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública, o acidente ocorreu às 16h45 durante manobra de pouso em uma fazenda do Estado, pertencente ao Incaper e localizada no limite entre os municípios de Domingos Martins e Venda Nova do Imigrante.>
Ao pousar na fazenda do Incaper, a cauda do helicóptero teria atingido uma trave do campo de futebol durante o procedimento de pouso. O governador, a primeira-dama Cristina Gomes e os pilotos, ainda de acordo com a assessoria, não tiveram ferimentos e passam bem.>
"Ao se aproximar para pouso e realizar manobra no campo, às 16h45 desta sexta-feira (10), a aeronave se desgovernou, vindo um dos rotores a colidir com o solo. Os pilotos adotaram as providências que o caso requeria, saindo do helicóptero o mais rápido possível, auxiliando os passageiros. Todos os ocupantes conseguiram sair ilesos. O Harpia 05, a princípio, teve perda total", informou a assessoria do Governo do ES.>
O helicóptero caiu depois de bater em uma trave móvel que estava posicionada no meio do gramado de um campo de futebol da fazenda. De acordo com testemunhas, a trave móvel é colocada no meio do campo porque o local é usado para a prática de Educação Física de uma escola na região. O local foi utilizado pelas crianças minutos antes do acidente.>
AGILIDADE DE PILOTA EVITOU TRAGÉDIA >
As causas do acidente ainda são desconhecidas mas, de acordo com os especialistas, é possível dizer que a rapidez da pilota Elizabeth Pereira Bergamin evitou que o acidente tomasse maiores proporções.>
Francisco Neto, piloto e instrutor de voo há 30 anos, ressaltou que é difícil afirmar com precisão o que aconteceu no local. Ele explica que aeronaves como a Harpia 05 são aptas a operar em qualquer local, mesmo os de difícil acesso, mas que alguns obstáculos podem causar problemas aos pilotos.>
Dentro do meio aeronáutico, afirmar qualquer coisa sem ter acesso aos relatórios de perícia é uma sandice. Não dá para saber exatamente o que aconteceu. Obstáculos podem ser de difícil visualização. Com uma autoridade à bordo a responsabilidade é maior, o que aumenta a tensão do piloto, pontuou Francisco.>
Ao analisar as imagens do acidente, o piloto afirmou que a reação de Elizabeth, que conduzia a aeronave, foi bastante ágil. Ela fez tudo certinho. Pelo que eu vejo nas fotos ela fez um ótimo trabalho. Pela experiência que tenho, a reação dela foi muito rápida. Do contrário, provavelmente ninguém estaria vivo.>
Outros pilotos consultados pela reportagem concordaram com a avaliação de Francisco e afirmaram que para que todos saíssem com vida, a pilota teve uma reação praticamente instantânea.>
POSSÍVEIS CAUSAS>
De acordo com os especialistas consultados, apesar da dificuldade de esclarecer com precisão as causas do acidente, é possível levantar duas hipóteses. Uma delas é a de que o helicóptero teria batido na trave do campo de futebol, conforme afirma a nota oficial divulgada pela assessoria de imprensa do governo do Estado.>
No caso da batida, Francisco explicou que quando o rotor da cauda da aeronave - que conhecemos como hélice - é danificado, perde-se a estabilidade. Se o helicóptero perde o rotor da cauda por alguma razão, a aeronave tende a girar em torno do seu eixo de maneira descontrolada, explicou.>
Nesses casos, de acordo com o piloto, é necessário ser bastante técnico para evitar tragédias. Se o piloto age com rapidez, consegue salvar os ocupantes da aeronave. É necessário fazer uma manobra de autorrotação, diminuir a potência e deixar que a aeronave chegue no chão, disse.>
Uma outra hipótese seria um efeito chamado ressonância - que pode acontecer tanto no pouso, quando na decolagem -, quando o deslocamento do ar acontece de forma muito intensa desestabilizando a aeronave. Nesse caso, a aeronave pode ter sofrido um fenômeno conhecido por "Mast Bumping". Isso ocorre com mais frequência em helicópteros com rotor tripá, que possui três pás de hélices, como o Harpia 05.>
Nesse fenômeno, a massa de ar que é empurrada para baixo pelas hélices principais do helicóptero, bate no solo e volta em direção às laterais aeronave de maneira muito intensa. No pouso, quando o piloto se aproxima do solo, ele coloca o rotor muito próximo às massas de ar, fazendo com que o helicóptero comece a vibrar, se tornando instável e entrando em ressonância com solo.>
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