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Bernardo Portella/Fiocruz
Prevenção e tratamento

Coronavírus desafia a ciência e 45 países já testam remédios

Relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) lançado no último dia 31 aponta que a pandemia é a crise mais desafiadora que o mundo enfrenta desde a Segunda Guerra Mundial

Raquel Lopes

Publicado em

04 abr 2020 às 06:00
kit de diagnóstico para coronavírus
kit de diagnóstico para coronavírus Crédito: Bernardo Portella/Fiocruz
O ano de 2020 será marcado na história pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2) que assustou milhares de pessoas, mudou a rotina da população e fez o mundo parar. Manifestado pela primeira vez por meio da doença Covid-19 em Wuhan, na China, em dezembro do ano passado, ainda não houve barreiras que o impedisse de atravessar todos os cantos do planeta.
No Brasil, o primeiro caso foi confirmado no dia 26 de fevereiro, mais de um mês depois, todos os Estados brasileiros registram casos. O Ministério da Saúde chegou a divulgar na quinta-feira (2) que o vírus foi registrado no país no final de janeiro, quando uma mulher de 75 anos morreu em Minas Gerais, mas no dia seguinte (3), voltou atrás e manteve a data de 26 de fevereiro como primeiro registro oficial da doença no país.
Apesar de o mundo já ter enfrentado outras epidemias, relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) lançado no último dia 31 aponta que a pandemia é a crise mais desafiadora que o mundo enfrenta desde a Segunda Guerra Mundial.
O vírus desafia a ciência. Cientistas dos cinco continentes nunca se debruçaram sobre o mesmo tema, ao mesmo tempo, em busca de respostas que ajudem a desvendar tudo que o cerca.
No Brasil, pesquisadores já conseguiram provar cientificamente que ele chegou ao país principalmente da Europa, sofreu mutação no Brasil e se “abrasileirou”. Com isso, há evidências científicas que está ocorrendo a transmissão local e comunitária, ou seja, quando uma pessoa passa para a outra. 
Mas quase quatro meses após sua descoberta, inúmeros são os questionamentos em aberto. Um deles é sobre a possibilidade de o paciente ficar imune ao vírus após contrair a doença. Outros questionamentos também são levantados. A mutação do vírus e como ele chegou ao Brasil o tornam mais agressivo? Quando a curva de transmissão será efetivamente suavizada?
Cientistas correm contra o tempo para dar respostas e, principalmente, para encontrar um tratamento específico para a doença e uma vacina que consiga imunizar a população desse vírus que já causou mais de 51 mil mortes pelo mundo. Acredita-se que a resposta para o tratamento virá antes que a imunização. Para isso, diversos países têm colaborado com pesquisas e profissionais de ponta, inclusive o Brasil.
Para a pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e uma das pneumologistas mais experientes do país, Margareth Dalcolmo, há dois grandes desafios: curar pessoas gravemente doentes e interceptar a cadeia de transmissão.
Em Portugal, 20% das pessoas infectadas são profissionais de saúde. No Brasil somente o Hospital Israelita Albert Einstein anunciou que afastou 348 funcionários diagnosticados com o coronavírus em São Paulo, isso representa 2% dos colaboradores.
“Temos uma transmissão crescente, comunitária em todo o Brasil, inclusive no Espírito Santo. Temos um percentual de formas graves, inclusive comprometendo a força de trabalho, há muitos profissionais de saúde já internados. Isso foi um problema na Itália, na Espanha e está sendo em Portugal, estamos querendo a todo custo que não ocorra no Brasil. Precisamos do profissional trabalhando, para isso o fornecimento de equipamentos de segurança tem que ser normalizado e fornecido para as áreas de maior exposição, como médicos e profissionais da rede de entrada do SUS”, destacou a especialista.

TRATAMENTO 

Outro desafio é encontrar um tratamento que seja realmente eficaz que possa se somar ao suporte da Terapia Intensiva. A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou uma pesquisa global chamada de Solidarity (solidariedade em inglês). Em 45 países, dezenas de hospitais, centenas de pesquisadores, vão avaliar a resposta de tratamento da Covid-19 a remédios que já são usados para outras doenças e que parecem promissores.
No Brasil, a Fiocruz vai coordenar os ensaios clínicos. Desde a última segunda-feira, dia 30, pacientes diagnosticados e hospitalizados em 18 hospitais de 12 Estados do país já começaram a fazer uso de um dos quatro medicamentos que fazem parte da pesquisa. Os dados coletados de milhares de pacientes de todo o mundo serão centralizados em uma plataforma única, gerenciada pela OMS.
Os medicamentos que terão a sua eficácia testada no tratamento de coronavírus são: cloroquina e a hidroxicloroquina, usadas contra a malária e doenças autoimunes; combinação de remédios contra HIV, formada por Lopinavir e Ritonavir; combinação de Lopinavir e Ritonavir em conjunto com a substância Interferon beta-1b, usada no tratamento de esclerose múltipla; antiviral Remdesivir, desenvolvido para casos de ebola, sendo este último o único a não possuir registro no Brasil.
“O que vamos fazer, chancelados pelo Ministério da Saúde e OMS, é coordenar vários tratamentos sob um protocolo químico e regulado pela Comissão de Ética. Para isso estamos inaugurando um hospital de campanha com 200 leitos que serão todos submetidos a esse protocolo de tratamento para gerar uma resposta brasileira. Talvez em quatro meses tenhamos as primeiras respostas porque são estudos pragmáticos, ou seja, que permitem análise imediata. Como os tratamentos previstos são curtos, de 14 a 21 dias, depois, dependendo do número de pacientes tratados, se analisa e se publica os resultados numa modalidade rápida”, explicou Margareth Dalcolmo.

GENOMAS

Assim como a pesquisa mundial que contará com a participação do Brasil para tentar encontrar um tratamento específico, no país há trabalhos em outras frentes.
Pesquisadores do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) sequenciaram o genoma do vírus presente em 19 pacientes de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Rio Grande do Sul e São Paulo. Isso foi feito em 48 horas no mês de março.
A geneticista e coordenadora do LNCC, Ana Tereza Ribeiro Vasconcelos, explicou que eles conseguiram analisar que o vírus que chegou ao Brasil veio principalmente de países europeus. Entretanto, já há uma população semelhante entre si no Brasil que já não é tão semelhante aos europeus. Isso quer dizer que o vírus não está mais só entrando de fora, existe a transmissão comunitária no país.
“O vírus respiratório tem uma taxa de mutação alta, é uma característica própria dele, isso não quer dizer que ele é mais agressivo. Já estávamos falando da transmissão comunitária, mas ainda não tinha uma prova científica que isso estava acontecendo realmente no país, que uma pessoa já estava transmitindo para outra.”
Assim como no Brasil, outros países já sequenciaram o genoma do vírus. Conhecer a identidade genética nos vários locais onde ele aparece é importante para compreender como se dá sua dispersão e para detectar mutações que possam alterar a evolução da doença. Esses dados, inclusive, podem ajudar no desenvolvimento de vacinas e de tratamentos.
Para a pesquisadora, as mutações já conhecidas do vírus não interferem nas vacinas que já estão sendo desenvolvidas. “O que precisamos fazer é que essa vacina seja universal, então quanto mais genomas sequenciados de vírus tivermos, mais comparações os desenvolvedores dela poderão fazer para identificar regiões que não mudam no vírus e que possam ser utilizadas no seu desenvolvimento. Esse sequenciamento pode ser usado para o desenvolvimento da vacina, mas no momento estamos estudando como o vírus está se dispersando e evoluindo no Brasil”, contou.

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