O secretário de Transportes, Trânsito e Infraestrutura Urbana de Vitória, Tyago Hoffmann, descartou a possibilidade de suspensão da Linha Verde neste período de testes, que deve durar, pelo menos, mais três semanas.
O corredor exclusivo para ônibus foi inaugurado na última segunda-feira, dia 12, na Avenida Dante Michelini, em Vitória, orla de Camburi.
Não cogitamos a hipótese de suspender a Linha Verde. Obviamente, quando se implanta algo novo, tem problemas que você só vê quando a operação começa, declarou.
Segundo Hoffmann, a prefeitura está fazendo ajustes nos tempos de alguns semáforos e estudando alternativas para quando acontece um acidente nas proximidades da Linha Verde.
O secretário pediu paciência à população e lembrou que a prioridade na mobilidade deve ser o transporte público.
Acho que essa é a alteração mais profunda de trânsito implantada em Vitória nos últimos 20 anos. Não é possível tirar nenhuma conclusão em tão pouco tempo, explicou.
Quanto a falta de diálogo relatada pelas associações, a prefeitura informa que está aberta para conversar. Hoffmann argumentou que as associações não foram consultadas antes da implementação pois a Dante Michelini não pertence a nenhum bairro e é um corredor metropolitano.
PREVISÍVEL
O secretário ressaltou ainda que visitou nove cidades brasileiras onde a faixa exclusiva para ônibus foi implementada e que foi advertido que as críticas viriam.
Ninguém disse que foi fácil, que não houve resistência. Mas, hoje, nessas cidades, o sistema funciona, lembrou.
INVESTIGAÇÃO
Na tarde desta segunda (19), o Ministério Público de Contas (MPC-ES) anunciou que vai investigar os transtornos causados no trânsito de Vitória, em razão da implantação de faixa exclusiva para ônibus.
Segundo a portaria emitida pelo MPC, o prefeito Luciano Rezende tem dez dias para apresentar documentos que justifiquem a ação. Ele deverá comprovar que a Linha Verde está de acordo com o Plano de Mobilidade do Município e com as leis de trânsito brasileiras.
ANÁLISE
Os problemas decorrentes da Linha Verde não são uma questão de adaptação. A ação tem o objetivo de diminuir a quantidade de carros nas ruas. Não tem adaptação para isso. O que precisa agora é que a prefeitura seja transparente e mostre os resultados. O que temos neste momento é mais carros e menos espaço. Se o transporte público não melhorar como um todo, as pessoas não vão migrar para ele. Se a ação se restringir à Linha Verde, vai acontecer uma queda de braço entre o poder público e os motoristas.
Paulo André Cirino - Advogado especialista em trânsito