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Perigo ao se refrescar

30 mortes e 340 resgates nas águas no Espírito Santo

Casos envolvendo banhistas foram registrados em 36 dias

Publicado em 22 de Janeiro de 2019 às 00:34

Natalia Bourguignon

Publicado em 

22 jan 2019 às 00:34
Rômulo teve de ser resgatado por helicóptero em Itaparica Crédito: Fernando Madeira
Trinta pessoas morreram afogadas desde 15 de dezembro de 2018 no Estado. Entre as vítimas, cinco eram crianças. Em todo o Espírito Santo, foram feitos mais de 340 resgates nas águas.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o número aumentou em relação ao mesmo período do ano anterior. “Além do grande número de turistas, o calor tem feito muitas pessoas do interior procurarem fontes de água para se refrescar”, afirma o coronel Wagner. Dentre as mortes ocorridas no período, 18 foram em municípios que sequer têm litoral.
As fatalidades ocorreram principalmente em rios e cachoeiras (17 ocorrências), seguido de lagoas e represas (sete casos). Nas praias do Espírito Santo, três pessoas perderam a vida afogadas. Há ainda um registro de morte por afogamento em piscina e outros dois com local não identificado.
SUSTO
Os Bombeiros informaram que, no total, foram feitos 201 resgates de pessoas no período entre 15 de dezembro de 2018 e 20 de janeiro de 2019. Já as prefeituras da Grande Vitória, contabilizam mais 139 ocorrências. Esse foi o caso de Rômulo Barcelos, 21 anos. O jovem precisou ser resgatado por um helicóptero no domingo (20) enquanto nadava com um casal de amigos até a Ilha de Itatiaia, em Itaparica, Vila Velha.
“Tentamos ir até a ilha, mas o vento mudou e começou a jogar a gente para o outro lado. Quando percebemos, já estávamos longe”, lembra Rômulo. Por conta das ondas, o caiaque onde os amigos estavam virou. Os três ficaram agarrados à embarcação até que um helicóptero da Polícia Militar passou e avistou-os. “Eu já não conseguia mais nadar quando o resgate chegou. Não volto mais lá”, afirma.
Segundo o coronel Wagner, casos como este são comuns em Vila Velha. “A maior parte das pessoas não têm condicionamento físico adequado, acha que as ilhas ficam perto da areia mas, quando chegam na metade do caminho começam a passar mal”, afirma.
Ainda de acordo com o Corpo de Bombeiros, quase todos os afogamentos poderiam ser evitados. “Em 99% dos casos é imprudência das pessoas”.
Ele orienta que os banhistas não entrem em locais onde não há presença de guarda-vidas. ”Se não tiver salva-vidas, não entre na água. Se você não tem informação sobre a profundidade, correntes, se tem galhadas, lama no fundo, é melhor ficar de fora”, diz.
Ele ainda reforça que crianças só devem ficar dentro da água se estiverem a uma distância de, no máximo, um braço do adulto responsável.
 
PÂNICO
O garçom Rômulo Barcelos, de 21 anos, tentou chegar nadando à ilha de Itatiaia, em Itaparica, Vila Velha. Ele estava com um casal de amigos em um caiaque. Todos tiveram que ser resgatados.
Como foram para a ilha?
Eu fui nadando e um casal de amigos de caiaque. Achamos que estava de boa, mas o vento mudou de direção e, quando percebemos, estávamos longe.
 
O que aconteceu?
Tentamos voltar mas não conseguimos. O vento e as ondas viraram o caiaque.
Como foi o resgate?
Não conseguíamos mais nadar e ficamos agarrados no caiaque fazendo sinal. Um helicóptero passou e me levou. Os outros foram levados pelos salva-vidas no caiaque. Não volto lá mais.
SAIBA MAIS
 
Charge Crédito: Arabson
 
PERIGO
AFOGAMENTO
Mortes
30 pessoas morreram entre 15 de dezembro de 2018 e 20 de janeiro deste ano.
Locais
15 mortes ocorreram em rios, sete em represas, três no mar, duas em cachoeiras, uma em piscina e outras duas em locais não identificados.
Municípios
18 das mortes foram em municípios sem litoral.
Segurança
27 mortes por afogamento foram em locais onde não há guarda-vidas.
RESGATES
Corpo de Bombeiros
Os Bombeiros fizeram 201 resgates em todo o Estado. Em 40 dos casos, houve maior risco de morte por afogamento.
Municípios
Os guarda-vidas municipais realizaram outros 139 resgates desde o início do verão. Vila Velha foi a cidade onde mais houve ocorrências, foram mais de 100 segundo a prefeitura. Já Vitória em foram 25. atendimentos. Em Fundão, foram 14.
DICAS
 
Crianças
Pais e responsáveis devem sempre estar com as crianças na água a uma distância máxima de um braço.
Perfil
O perfil mais comum das vítimas de afogamento são homens, obesos e que estavam alcoolizados.
Ajuda
Se presenciar um afogamento e não tiver treinamento, não entre na água. Ofereça algum objeto que flutue como uma bola ou isopor e chame ajuda.
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