Gabriela Fardin
Sabe aquela velha história de unir o útil ao agradável? É o que a maioria das pessoas que decidem formalizar uma atividade comercial busca: ser dono do próprio negócio e ainda fazer o que gosta. Mas, em tempos de pandemia, trabalhar por conta própria nunca foi tão produtivo e necessário. É o que as estatísticas do Portal do Empreendedor, do governo federal, têm mostrado. Em todo o país, são mais de 10,5 milhões de Microempreendedores Individuais (MEIs). Só no Espírito Santo, quase 270 mil trabalhadores já optaram pela modalidade. Os números apontam para um crescimento de cerca de 7% desde março.
Em Colatina, não seria diferente. Até o final do mês de julho, já eram 9.996 negócios formalizados. O município está entre os sete do Estado com maior número de MEIs ativos. E esse número continuou crescendo durante a crise provocada pela pandemia. De março até julho, foram 481 novos registros.
"O aumento de MEIs, desde o final de março, reforça que, apesar dos impactos negativos na economia por causa do avanço da Covid-19, a formalização continua sendo uma alternativa para geração de renda durante a crise, principalmente para aquelas pessoas que buscam driblar a falta de emprego e sair da economia paralela"
Ainda de acordo com o Sebrae, os setores de alvenaria, beleza (cabeleireiros, manicure e pedicure) e o comércio varejista de roupas e acessórios são os que mais atraem os microempreendedores em Colatina.
COMÉRCIO
Gabriela Garozi é uma das 837 pessoas que decidiram investir no setor da moda em Colatina. Ela apostou no comércio forte da cidade e na experiência de 14 anos como vendedora para se formalizar. Em parceria com uma amiga, que já é comerciante há mais tempo, ela abriu uma loja de roupas femininas no coração da cidade.
Pela nossa experiência no comércio de Colatina, que é muito movimentado, a gente sabia que daria certo apesar da pandemia. A loja foi inaugurada há cerca de dois meses e o resultado já é muito bom. Vai melhorar ainda mais quando tudo isso passar", sustenta.
Por trás de cada negócio, também tem uma história de realização pessoal e profissional. Ainda adolescente, aos 15 anos de idade, Joab Vitória de Jesus cortava o cabelo dos irmãos e dos amigos. Também ajeitava as próprias madeixas. Apesar do gosto pela barbearia, ele ingressou em outra área e, durante nove anos, trabalhou na mesma empresa de transporte coletivo na cidade. Foi trocador de ônibus e, depois, lanterneiro.
Incentivado pelos colegas, deixou a empresa para trabalhar em um salão como funcionário e, há pouco mais de dois meses, virou dono do próprio negócio. Formalizou a atividade e abriu a própria barbearia, no bairro São Silvano. Hoje, aos 36 anos, Joab sente-se realizado e satisfeito.
Eu me sinto bem mais à vontade trabalhando no meu próprio salão. Está sendo muito gratificante e só tenho que agradecer a Deus, diz. O barbeiro também conta que precisou ter coragem e muita fé para deixar a estabilidade do emprego formal durante a pandemia.
"Sempre acreditei que daria certo. Mesmo durante esse período, eu percebo que o faturamento está bom e, por isso, eu acredito que vai ser ainda melhor quando tudo passar"
Esses pequenos negócios ganham força quando se juntam e ajudam a girar a roda da economia. Para a secretária municipal de desenvolvimento econômico Priscila Guimarães, os microempreendedores individuais estão entre as principais fontes geradoras de riqueza no comércio.
O aumento do surgimento dessas empresas repercute diretamente na manutenção da circulação de capital dentro do próprio município e, consequentemente, na geração de novos empregos. Também contribuem para a receita municipal com o recolhimento do ISS (Imposto Sobre Serviços), por exemplo, pontua.
Em parceria com outras instituições, como o próprio Sebrae, a prefeitura oferece capacitação dos MEIs, com orientações sobre a administração e o fomento de pequenos negócios. Por meio da Agência Nosso Crédito, também disponibiliza linhas de financiamentos com juros e prazos facilitados para os optantes da modalidade. No ano de 2019, 268 linhas de crédito foram aprovadas, totalizando um pouco mais de R$ 3,15 milhões. Neste ano, até julho, já ultrapassamos a marca do ano passado com 512 linhas de crédito aprovadas no valor de R$ 3,64 milhões, complementa Priscila.