A alta dos preços do azeite de oliva tem assustado os consumidores da Grande Vitória. Nos últimos meses, o valor do produto subiu 53,48%, sendo o maior desde 2020. O preço aumentou tanto que o ingrediente ganhou nas prateleiras dos supermercados lacres antifurtos, comuns em artigos de luxo.
A cena surpreende quem antes tinha o azeite como um produto do cotidiano. A reportagem de A Gazeta apurou que a medida de segurança, mesmo que ainda não tenha virado uma politica comum, foi adotada em Vitória no supermercado Atacadão. Estabelecimentos em outros Estados também adotaram o lacre na mercadoria.
Somente em março o preço do azeite subiu 2,36%. No acumulado do ano, o valor do produto chegou a aumentar 12,21%. No mesmo período de 2023, a variação foi de 0,2%, segundo os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
O consumidor Moisés Joaquim já sentiu a diferença no bolso ao comprar o tradicional produto usado na culinária.
Com preço nas alturas, azeite ganha lacre antifurto em supermercado de Vitória
"Nós usávamos bastante azeite em casa, principalmente minha esposa, que fazia torta capixaba. Mas o preço está mais salgado do que o bacalhau. Vamos ter que usar menos agora"
O economista André Braz explica que a alta no valor do azeite de oliva é devido a questões climáticas que prejudicaram a safra das oliveiras na Espanha, em Portugal e na Grécia, maiores produtores mundiais do produto.
“O Brasil importa o azeite da Europa e, devido a problemas climáticos, houve uma oferta menor. Então, como o volume de exportação europeia diminuiu, o produto ficou ainda mais caro no mundo inteiro”, destaca Braz, que também é coordenador dos Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre).
Alheia aos problemas na safra europeia de oliva, a professora Letícia Picallo optou por diminuir o consumo do azeite para economizar. “Eu usava bastante o azeite em casa. Agora já não uso tanto porque está muito caro, quase R$ 50,00. Achei que o preço fosse diminuir depois da Semana Santa, mas parece que ficou até mais caro", observa.
Outros consumidores também pensaram que a alta no valor do produto era devido à demanda da Semana Santa, em que o azeite é um ingrediente fundamental para a tradicional torta capixaba. Entretanto, o preço não caiu nas semanas seguintes – e ainda não vai diminuir tão cedo.
“É uma alta que deve durar pelo menos até a próxima safra, por um período de 12 meses. Apesar de não ter uma safra curta, a oliva deve se estabilizar no preço atual e depois, finalmente, ter alguma queda, isso dependendo do resultado da próxima colheita. Lembrando que o mundo está cada vez mais exposto a eventos climáticos que podem prejudicar a produção agrícola” ressalta o especialista da FVG.
A Gazeta entrou em contato com o Atacadão sobre medida de segurança adotada na venda do azeite, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem.
Produtos para substituir o azeite
Além de acentuar o sabor na culinária, o azeite extravirgem possui valor nutricional com propriedades antioxidantes, vitaminas, cálcio, ferro, magnésio, potássio, entre outras. Esse alimento traz ação anti-inflamatória, previne doenças cardiovasculares e reduz o colesterol, sendo um óleo saudável para o nosso corpo.
Por isso, para substituir o azeite por outros produtos mais em conta, a nutricionista Ana Carolina Rabelo alerta para a importância de observar, além do preço, o valor nutricional e a temperatura em que o alimento pode ser usado.
“Quando é submetido a aquecimento, um óleo pode liberar substâncias tóxicas. A temperatura que define esse momento é chamada de ponto de fumaça e é um fator que deve ser considerado principalmente em preparos como frituras, que exigem temperaturas mais elevadas.”, explica Ana Carolina.
Os óleos com o maior ponto de fumaça e que são recomendados para frituras e preparos de alimentos ao fogo são:
- Óleo de soja - pode ser aquecido até 232°C
- Óleo de girassol - pode ser aquecido até 230°C
- Óleo de canola - pode ser aquecido até 223°C
Já para saladas, a nutricionista recomenda os óleos de amendoim e gergelim, que são ricos em vitaminas E, B1 e B2.