A inovação é uma vocação da Capital, voltada para ambiente de negócios e também para aprimorar os serviços ao cidadão. A avaliação é da diretora-presidente da Companhia de Desenvolvimento, Inovação e Turismo de Vitória, Camila Brandão.
Vitória conta com uma rede de saúde interligada com prontuários eletrônicos; semáforos inteligentes em instalação, com utilização da tecnologia IoT - Internet of Things, na sigla em inglês, ou Internet das Coisas - e capacidade de se autorregular a partir da percepção do movimento do tráfego; automatização e simplificação de processos para abertura de novos empreendimentos; internet gratuita nas diversas regiões através do Vitória Online; e automação na segurança pública com o videomonitoramento e o acompanhamento das ocorrências em tempo real, para citar alguns exemplos.
"Reter talentos é um dos nossos principais desafios, além de democratizar o acesso à tecnologia para todas as regiões. Tudo isso com uma grande infraestrutura e base na legislação"
Um dos caminhos para reforçar ainda mais a vocação da cidade é, assegura Camila Brandão, finalmente tirar do papel o Parque Tecnológico de Vitória, em Goiabeiras. “O momento atual é de preparação de leis para fomento de empresas de base tecnológica e a expectativa é que o lançamento seja nos primeiros meses de 2022”, planeja.
O Estado também se faz presente quando o assunto é inovação na Capital. Segundo Tyago Hoffmann, secretário estadual da Ciência, Tecnologia, Inovação, Educação Profissional e Desenvolvimento Econômico, o governo capacita, coordena, monitora, apoia, financia e concede recursos não reembolsáveis para a área, por meio das Escolas Técnicas, Conselhos, participação na Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI), lançando editais através da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) e participando de fundos de inovação com o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).
E ainda são operacionalizadas políticas nacionais, tais como o Programa Centelha e o Tecnova, além do laboratório de cidades inteligentes, com pesquisas na área de IoT, coordenado pelo Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e localizado no Centro de Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento (CPID).
“A cidade conta com diversos habitats de inovação, entre os quais incubadoras, aceleradoras, hubs, espaços de coworking e laboratórios de inovação aberta. Podemos destacar o FindesLAB, o Base27, a TechVitória, SebraeLab, Agência de Inovação do Ifes e o Instituto de Inovação Tecnológica (Init) da Ufes. São muitas iniciativas a serem destacadas com foco nesta virada tecnológica”, pontua o secretário.
BOM LUGAR PARA NEGÓCIOS
Para quem tem uma ideia na cabeça e quer empreender, Vitória é um bom lugar para colocar o projeto em prática. Não à toa, está entre os municípios mais competitivos e também ocupa a 4ª posição entre as 100 cidades mais empreendedoras do Brasil.
O casal Tiago Rossi e Renata Lage vivenciou o que esses dados representam. Antes da pandemia,na Mental Pro, eles tinham um projeto de monitoramento da saúde mental de trabalhadores, com a proposta de que as empresas cuidassem melhor de seu público interno a partir de dados coletados por meio de ferramenta tecnológica.
“Com a chegada da pandemia, a solução tecnológica passou a ser uma demanda real nas empresas. Mas o começo é sempre incerto e estávamos ainda em desenvolvimento”, lembra Tiago. Foi então que Alexandre Rodrigues e Bruno Vivas, sócios na Brooder, encontraram a startup do casal numa rede social da internet, e quiseram financiar o projeto. Era o que faltava para o negócio prosperar, e hoje o casal colhe o fruto de novas contratações da solução que oferecem.
“Trabalhamos com orientação e investimento, ajudamos no início da caminhada de quem está empreendendo, e o fato de estarmos em Vitória é muito bom. Além de ter uma base tecnológica, a cidade conecta pessoas. Há um estudo (da Microsoft) que diz que seis pessoas separam você de qualquer outra, seja o Papa, seja o presidente dos Estados Unidos. Em Vitória, acredito que deva ser duas ou três, isso é ganho e poder”, valoriza Rodrigues.
“Além disso, aqui pode-se pensar em negócios globais, pela facilidade da internet. Também, se um empreendimento dá certo em Vitória, é grande a chance de dar certo em qualquer lugar”, complementa Vivas.