Luiz Zardini
É da terra que vem os frutos que fazem a cidade de Linhares prosperar. Com 3.496 km² de extensão e terras férteis, às margens do Rio Doce, o município do Norte capixaba se destaca quando o assunto é o agronegócio. A topografia de Linhares é ideal para uma imensa diversidade de culturas. O município é rico em água e esse é o principal fator que colabora para que a cidade seja tão próspera, disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Linhares, Antonio Roberte Bourguignon.
Segundo o último Censo Agro, realizado em 2017, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Linhares ocupa o primeiro lugar na produção de nove culturas do agronegócio do Espírito Santo: banana, bubalinos, cacau, café conilon, coco, mamão, maracujá, melancia e ovinos.
Para Bourguignon, esse é o resultado do esforço e dos investimentos dos produtores do município. Quem vive do agronegócio está cada vez mais consciente e responsável. Não podemos admitir a possibilidade de erro. Isso significa prejuízos. Além disso, a produção sustentável também vem ganhando cada vez mais espaço. Essa tem sido a meta de muitos agricultores de Linhares, afirma.
E não é só isso. O uso da tecnologia vem crescendo nos últimos anos e isso tem tornado o agronegócio cada vez mais forte. O produtor rural, que já tem na veia o prazer de cultivar a terra agora conta com a ajuda da tecnologia para tornar os processos produtivos cada vais mais eficientes, lucrativos e de baixo custo, lembrou.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Linhares afirma, ainda, que mesmo em meio à pandemia do Coronavírus, o agronegócio tem contribuído com o desenvolvimento do município. Enquanto outros importantes segmentos da sociedade foram paralisados ou afetados pela crise gerada pela pandemia, o agro não parou. Estamos falando da produção de alimentos, tão essenciais neste momento. Mesmo diante de tantas dificuldades, os produtores estão dispostos a buscar alternativas e a fazer economia girar, afirmou Bourguignon.
Café Conilon
O município é a terceiro maior produtor de café conilon do Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento mais recente, realizado em 2018, revelou que foram produzidas 42,8 toneladas do grão. Linhares ficou atrás apenas das cidades mineiras de Patrocínio, com 82,8 mil toneladas e Três Pontas, com 43,3 mil toneladas.
Segundo o IBGE, a safra de 2018 foi considerada a maior dos últimos 26 anos. Em 1993, o município produziu sozinho 46,2 mil toneladas de café. A força empreendedora dos produtores locais, aliado às condições naturais do município favorecem o desenvolvimento da cafeicultura que também está enraizada culturalmente em nossas famílias rurais. O trabalho dos produtores, com a evolução da ciência da atividade cafeeira e a integração com instituições, contribuíram para Linhares se destacar na produção de café em todo o país, afirmou o secretário de agricultura, aquicultura, pescuária e abastecimento de Linhares, Franco Fiorot.
A produção de café é a principal cultura do município, que sozinha, foi responsável pela movimentação de mais R$ 220 milhões de reais. Esse indicador mostra que a produção do conilon é altamente relevante para economia da cidade, contribuindo decisivamente para o desenvolvimento de Linhares, disse.
Mamão
Linhares se destaca também quando o assunto é a produção de mamão. Segundo a Associação Brasileira de Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Papaya (Brapex), o município tem cerca de 1.200 hectares destinados à produção da fruta. São mais de 150 produtores espalhados pelo município. A cadeia produtiva concentra seis empresas exportadoras de mamão na cidade.
Estados Unidos e Europa estão os principais consumidores do mamão produzido em Linhares. Em 2019, a cidade exportou 92 toneladas de mamão. Do início deste ano até agora, já foram 50 toneladas. Este ano a gente previa mais de 15% de aumento nas exportações, mas houve um contratempo com a pandemia. Mesmo assim, este segmento conseguiu movimentar $ 64 mil dólares em 2020, disse o diretor da Brapex, José Roberto Macedo Fontes.
Mesmo diante da queda das exportações, provocada pelos cancelamentos de voos comerciais, por causa da pandemia do Coronavírus, a Brapex está de olho na ampliação da comercialização internacional da fruta. Nós estamos buscando a abertura de outros mercados que antes não tinham tanta expressão no consumo de mamão. A Brapex tem buscado junto ao Ministério da Agricultura a viabilidade de exportar para estados da África do Sul, afirmou.
Cacau
Linhares é o quarto maior produtor de cacau do Brasil, segundo o IBGE (2019) , com 88% de área plantada no Estado, sendo responsável por cerca de 92% da produção capixaba. De acordo com a Pesquisa de produção Agrícola Municipal, o município foi responsável pela movimentação de mais de R$ 45,6 milhões de reais. A produção foi de 10 mil toneladas de amêndoas.
A nossa expectativa, este ano, é ultrapassar as 12 mil toneladas de produção de cacau. Se ultrapassarmos, vamos dobrar a produção em praticamente três anos em Linhares.
A próxima safra começa em setembro e deve terminar no final de novembro. Tudo indica que vamos conseguir aumentar significativamente esses dados, afirmou Mauro Rossoni Júnior, diretor da Associação dos Cacauicultores de Linhares (Acau).
Em 2012, a região de Linhares obteve o registro de Indicação Geográfica, na modalidade Indicação de Procedência (IP), atribuído pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que atesta o produto como característico de seu local de origem. Com o cacau certificado, tem produtor que está conseguindo agregar valor de quase o dobro do valor da saca, que esta sendo comercializada a R$ 700, disse.
O cacau de Linhares é cultivado, em sua maioria, em um sistema denominado cabruca, técnica de cultivo sustentável em que a cultura da planta é intercalada com áreas preservadas da floresta tropical. É por isso que a produção é bem conhecida pela sustentabilidade. De acordo com a Organização Internacional do Cacau (ICCO), cerca de 90% da produção mundial ocorre em pequenas propriedades rurais e prioritariamente em áreas de preservação permanente. Isso contribui com a qualidade da produção. Esse é um diferencial das amêndoas produzidas em Linhares. O que era cultural do nosso cacau agora tem reconhecimento. O Espírito santo conta hoje com 19 chocolateiros e isso é significativo para o mercado capixaba, que tem potencial para crescer ainda mais, conclui.