Uma banca de pães e outros produtos artesanais, sem atendente e baseada na confiança dos clientes, tem chamado a atenção dos moradores de Montanha, no Norte do Espírito Santo. A iniciativa é de Telmo Miranda, de 53 anos, que depois de 30 anos nas estradas decidiu mudar a rotina para ficar mais perto da família.
Ex-caminhoneiro de longas viagens, Telmo passou a trabalhar como motorista do Samu e encontrou na banca uma forma de complementar a renda. A ideia, curiosamente, surgiu durante os anos em que percorreu diferentes regiões do Brasil.
Ao longo das viagens, ele conheceu bancas instaladas às margens das rodovias que funcionavam sem atendente. Os clientes escolhiam os produtos e deixavam o dinheiro no local. A experiência ficou na memória e, depois de deixar as estradas, Telmo decidiu adaptar o modelo para a cidade onde mora.
A banca funciona em uma praça no Centro de Montanha e foi montada pela primeira vez no último sábado (22), de forma experimental. O resultado superou as expectativas.
"Fiz um teste no sábado passado, de forma bem simples, e bombou. Deu super certo e o dinheiro estava todo lá", contou.
No mesmo dia, Telmo publicou nas redes sociais um vídeo mostrando a estrutura. A gravação viralizou e já ultrapassou 102 mil visualizações. Como todos os produtos foram vendidos, ele decidiu continuar com o projeto.
A banca é abastecida com produtos preparados por Telmo e pela esposa. Entre as opções estão pães caseiros de laranja, tradicional, de leite e de queijo, além de bolos de fubá e de laranja.
Na segunda edição, a família ampliou o cardápio. A filha de Telmo, de 16 anos, passou a produzir brownies para a banca. Agora, o comerciante já planeja incluir novas opções, como cuscuz doce e salgado.
Apesar de ter se inspirado em bancas que conheceu nas estradas, Telmo reconhece que reproduzir esse modelo dentro de uma cidade traz desafios diferentes. Afinal, os produtos e o dinheiro ficam expostos e não há ninguém para acompanhar as vendas.
Mesmo assim, ele decidiu apostar na honestidade dos moradores.
Para mim, tudo na vida é um risco. Tudo que você faz na vida é um risco. Só que aqui é dentro de uma cidade, então é muito mais complexo do que na beira da estrada. Mas, até agora, está dando certo
Telmo Miranda Ex-carreteiro e dono da banca autônoma
A mudança de vida foi motivada principalmente pelo desejo de ficar mais perto da família. Depois de décadas viajando pelo país, Telmo agora concilia o trabalho como motorista do Samu com a produção dos alimentos e a manutenção da banca.
"Eu dirigi por mais de 30 anos e resolvi sair da estrada. Estou entrando agora em outro serviço, no Samu, para conseguir trabalhar perto de casa e da família", relatou.
Como trabalha em regime de plantão, ele aproveita os dias de folga para preparar os produtos, montar a banca e, no fim do dia, voltar ao local para recolher o dinheiro das vendas.
Diante dos pedidos dos moradores, Telmo pretende manter a "banca da confiança" aos fins de semana e ampliar gradualmente as opções de produtos.