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Embargo integral

Justiça manda parar obra de escola no Morro do Moreno

Nova decisão judicial restabelece os efeitos da primeira instância, mantendo a paralisação das intervenções; Centro Educacional Primeiro Mundo diz que projeto é conduzido com acompanhamento técnico e diálogo com órgãos competentes

Publicado em 28 de Maio de 2026 às 18:52

Aline Nunes

Publicado em 

28 mai 2026 às 18:52
A Justiça determinou a paralisação das obras do Centro Educacional Primeiro Mundo, no Morro do Moreno, em Vila Velha. Em decisão do desembargador Fernando Estevam Bravin Ruy, foi restabelecido o embargo integral das intervenções, que já havia sido imposto em manifestação judicial de primeira instância e, depois, derrubado. A ordem de suspensão da licença de construção vale pelo menos até o julgamento colegiado de recurso. 

A obra já havia sido embargada, no final do ano passado, pela Prefeitura de Vila Velha por falta de licenciamento ambiental. Mas a própria administração municipal, há pouco mais de um mês, concedeu alvará para a realização das intervenções. Na ação, consta que a liberação para a construção foi feita de maneira temerária.

O centro educacional, em nota, diz que o projeto em andamento vem sendo conduzido com acompanhamento técnico e em diálogo permanente com os órgãos competentes.

"Todas as etapas realizadas até o momento seguiram as orientações e autorizações dos órgãos responsáveis, com apresentação da documentação solicitada ao longo do processo. A instituição seguirá colaborando com todos os esclarecimentos necessários e reforça seu compromisso com a responsabilidade e a transparência na condução do projeto.”

A Prefeitura de Vila Velha informa que ainda não foi intimada da decisão judicial. "Quando notificado oficialmente, o município irá se manifestar nos autos."  
Obra do Centro Educacional Primeiro Mundo no Morro do Moreno, em Vila Velha
Obra do Centro Educacional Primeiro Mundo no Morro do Moreno, em Vila Velha Divulgação
A ação aponta que o município teria instruído o recurso com documentos desatualizados e tentado contornar a fiscalização. A prefeitura também teria permitido o chamado "licenciamento de fachada", aceitando o fracionamento da área para evitar que o empreendimento atingisse o patamar de 5 mil metros quadrados, o que obrigaria a realização de Estudo Especial e audiência pública conforme previsto no Plano Diretor Municipal (PDM).

Além disso, segundo a ação, a administração concedeu o alvará construtivo sem que nenhum órgão técnico da prefeitura analisasse o laudo geotécnico apresentado pelo empreendedor. O desembargador Fernando Ruy ainda faz menção à manifestação do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) no processo original e observa que a prefeitura deixou de considerar o relatório da Defesa Civil que atestava médio a alto risco geológico, com perigo real de rolamento de blocos rochosos sobre a comunidade escolar.

No processo que tramitou na 2ª Vara da Fazenda Pública de Vila Velha, antes de chegar como recurso ao Tribunal de Justiça, o promotor Gustavo Senna ainda pontua riscos ambientais, que decorrem principalmente do fato de a escola estar localizada na zona de amortecimento do Monumento Natural do Morro do Moreno (Mona) — unidade de conservação de proteção integral.

Entre os riscos identificados está a degradação do habitat pela intensificação da atividade no entorno das obras, projetando impactos que ultrapassam os limites físicos da edificação, atingindo diretamente a fauna e flora da região. 

O promotor de Justiça considera ainda a existência de indícios de interferência no lençol freático devido ao acúmulo persistente de água no local das intervenções, mesmo sem chuvas. Além do dano ambiental, observa Gustavo Senna, há risco à saúde pública pela possível formação de criadouros de mosquitos. 

Nessa ação, o MPES ainda aponta desvio de finalidade porque a obra foi licenciada como um centro comercial de um andar, mas está sendo construída como escola de dois pavimentos. A promotoria destaca a ausência de estudos obrigatórios de impacto de vizinhança e mobilidade urbana.

A expansão da unidade de Vila Velha do centro educacional, inaugurada em 2021, foi anunciada em setembro do ano passado. O investimento seria próximo de R$ 8,5 milhões, ampliando o espaço para 2 mil metros quadrados, dedicados à educação infantil e ao ensino fundamental. Serão mais de 20 novas salas de aula e área ao ar livre aos pés do Morro do Moreno.  

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