Após percorrer mais de 300 km e retornar para casa sem ser atendida no Hospital Estadual Dório Silva, na Serra, Grande Vitória, Elízia Lobo de Souza, de 92 anos, finalmente conseguiu realizar a consulta médica nesta quarta-feira (6). Na noite do dia 30 de agosto, a idosa saiu de Ecoporanga, no Noroeste do Espírito Santo, teve que voltar para casa sem atendimento porque a médica faltou.
"Consegui ser atendida. Saí de casa ontem [terça-feira] por volta de meia-noite e cheguei no hospital quase 7h da manhã. Minha consulta foi logo por volta das 8h. Agora tenho que pegar uma receita, fazer uns exames"
De acordo com Elízia, a secretaria do hospital entrou em contato com ela esta semana e fez o reagendamento da consulta médica. Inicialmente, a nova consulta seria no dia 5 de outubro, mas o hospital antecipou.
"Depois da reportagem, entraram em contato comigo e marcaram para o dia 6 de setembro. Fui muito bem atendida, vim de ônibus e tô voltando de ônibus. Me deram café, almoço, as coisinhas. Foi ótimo", destacou.
Após o atendimentos de Elízia e dos demais pacientes, o ônibus retornou por volta das 13h desta quarta-feira.
Consulta foi antecipada
Na noite do dia 30 de agosto, Elízia também pegou um ônibus da prefeitura com outros pacientes do Hospital Estadual Dório Silva, e chegou à unidade por volta de 5h da manhã do dia seguinte para a primeira consulta após uma cirurgia que foi realizada em julho. No entanto, mesmo após a viagem, a idosa voltou para casa sem atendimento porque a médica responsável faltou.
"Nós chegamos no hospital às 5h da manhã. Quando foi por volta de 8h, disseram que a médica havia faltado e minha mãe não poderia ser atendida, que remarcariam o retorno. A gente se sente desrespeitado. Fazer isso com qualquer ser humano não é certo", destacou.
Sem atendimento, Elízia também relatou o transtorno de não ter onde ficar até que todos os pacientes fossem atendidos para que o ônibus retornasse para o município.
"A gente senta, aí sente uma dor, a gente levanta, anda um pouquinho, depois a gente deita. Vamos fazer o quê? Não tem previsão pra voltar pra casa. É esperar o ônibus e voltar, mas enquanto isso a gente não ganha alimentação, a gente tem pouco dinheiro... Ficamos esperando", desabafou.
Assim como Elízia, muitas pessoas saem de madrugada de suas casas e cidades, principalmente no interior do estado, rumo à Grande Vitória em busca de atendimentos médicos. E nem sempre eles acontecem.
Na época, a Secretaria de Saúde do Espírito Santo (Sesa) "informou que houve tentativas de contato para informar sobre a remarcação. A direção da unidade está realizando apuração interna para identificar o que impossibilitou o encaixe para o mesmo dia".
*Informações do G1 ES