Sair
Assine
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Xô, preconceito!

Gari por opção, modelo chama atenção varrendo ruas de Guarapari

Luiza Scrivani acorda de madrugada para trabalhar e estuda para ser policial militar; após entrada na limpeza, ela ressalta importância da profissão

Publicado em 08 de Julho de 2022 às 14:35

Larissa Avilez

Publicado em 

08 jul 2022 às 14:35
Aos 24 anos, a jovem Luiza Martins de Souza Scrivani chama atenção quando passa pelas ruas de Guarapari. E isso não somente pela beleza e simpatia que a levaram a ter sucesso na carreira como modelo, mas também porque ela trabalha justamente varrendo vias e espaços públicos do município, como gari.
Em 2018, Luiza passou em um concurso da Companhia de Melhoramentos e Desenvolvimento Urbano de Guarapari (Codeg). Assim, no início do ano passado, ela começou a trabalhar na limpeza da cidade e há seis meses optou por sair do emprego de carteira assinada que tinha em uma academia.
"Fiz isso pela estabilidade e pela remuneração, que é quase três vezes maior do que o que eu ganhava. Nunca tive preconceito com a profissão e, no final das contas, acabei gostando do serviço, da turma e do horário", diz a jovem, que mora no bairro Muquiçaba e acorda de madrugada para pegar no batente às 4h.
"A profissão de gari é um pouco invisível, a gente está ali todo dia trabalhando e as pessoas passam e não se dão conta. Só notam quando a gente deixa de fazer"
Luiza Martins de Souza Scrivani - Gari e modelo
Para desconstruir a ideia de que a pessoa se torna gari por falta de opção, Luiza afirma que conseguir a vaga é difícil e que o trabalho não é fácil. "A prova é complicada e o concurso, bem concorrido. Não é qualquer um que entra. Acho que as pessoas pecam por falta de conhecimento", comenta.
Apesar de nunca ter sofrido preconceito explícito ou ouvido grosserias, a jovem confessa que passa por momentos que, de forma mais sutil, desmerecem a profissão. "Muitas pessoas falam que eu sou muito bonita para trabalhar como gari e eu digo que sou modelo, mas que sou gari também."
"As pessoas criam estereótipos da figura de gari, de certa forma, minimizando a profissão, como se tivesse um padrão físico ou educacional baixo"
Luiza Martins de Souza Scrivani - Gari e modelo
Desde que começou, Luiza já atuou na capina, nas praias e na varrição – área em que trabalha atualmente, ajudando a manter limpo o bairro Ipiranga. "Depois que comecei, dei ainda mais importância para o trabalho. É muito puxado: são seis horas andando com um carrinho pesado", relata.
Depois do serviço junto ao município, ela usa as tardes e noites para cumprir os compromissos como modelo. "Trabalho para cerca de quatro lojas fixas, fazendo provador, e tem as que me chamam de forma esporádica. Além de uma parceria com uma marca local de produtos de cabelo", conta.
Há seis anos no ramo, a jovem conseguiu monetizar o hobby somente em 2021. "Eu comecei a fotografar para a loja de uma amiga, bem informal. Depois, fiz alguns conteúdos externos e as lojas foram me chamando, até que comecei a levar mais a sério e passei a ter retorno financeiro pelo Instagram", continua.

SONHO DE SER PM

Nascida na cidade de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Luiza mora no Espírito Santo desde 2014 e viu no Estado capixaba uma possibilidade concreta de realizar um antigo sonho: virar policial militar. "A família da minha mãe é praticamente toda militar e cresci com essa influência no Rio de Janeiro", explica.
"Aqui em Guarapari é mais tranquilo e vi chance real de seguir na carreira, porque no Rio de Janeiro, apesar das oportunidades, sempre achei muito perigoso", continua ela, que chegou a fazer um concurso da Polícia Militar em 2018, mas acabou reprovada no Teste de Aptidão Física (TAF).
Para ter sucesso no próximo, para o qual já está inscrita, Luiza continua estudando, faz crossfit e tem acompanhamento nutricional. "Até nisso o trabalho como gari me ajuda. É um serviço que contribui para a minha disposição e preparo físico. Querendo ou não, são horas de caminhada", conclui.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Página especial da Copa do Mundo de A Gazeta
Página especial de A Gazeta reúne tudo o que você precisa saber sobre a Copa do Mundo
Leonardo de Sal, representante comercial
Polícia já sabe quem atropelou homem ao sair de lanchonete em Cariacica
Pesquisa do Connect Fecomercio-ES aponta impactos da mudança da lei relacionada à escala 6x1

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados