O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES) divulgou nesta quinta-feira (9) um relatório sobre o acidente na detonação de rochas durante a construção de uma ponte no distrito de Jaciguá, em Vargem Alta, na Região Serrana do Espírito Santo, em 17 de março deste ano. O documento aponta que falhas no planejamento e na execução da operação contribuíram diretamente para o incidente.
De acordo com a análise, feita por engenheiros civis e um geólogo da equipe técnica, fragmentos de rocha foram lançados além da área de segurança prevista, afetando uma edificação próxima ao local da obra. Parte do imóvel foi destruída. Outras residências também foram atingidas por estilhaços nos telhados, mas sem danos graves.
Um dia após o acidente, o Crea visitou a área e avaliou as circunstâncias, os danos provocados e a conformidade dos serviços com as normas técnicas e legislações.
Segundo o órgão, o relatório indica que houve avaliação prévia insuficiente das condições geológicas do terreno, além de falhas no controle dos parâmetros operacionais durante a execução da atividade. Também foram identificadas fragilidades na gestão de riscos e no controle técnico das operações.
Na fiscalização, também foram identificadas inconsistências relacionadas à regularidade técnica da empresa responsável junto ao Crea, além da necessidade de documentação e registros operacionais mais detalhados.
O conselho de classe recomendou a adoção de medidas corretivas, como a realização de estudos geológicos e geotécnicos mais detalhados, revisão dos procedimentos operacionais, implementação de um plano de segurança e maior controle técnico das atividades, além da regularização junto ao órgão.
O relatório foi assinado por engenheiros civis e um geólogo da equipe técnica da Inspetoria de Cachoeiro de Itapemirim. O Crea-ES informou que seguirá acompanhando o caso.
A obra é de responsabilidade do Departamento de Edificações e de Rodovias do Estado do Espírito Santo (DER-ES). A reportagem procurou o órgão, mas ainda não houve retorno.
No dia do acidente, o DER-ES disse que as técnicas autorizadas para a detonação das rochas incluíam o uso de argamassa expansiva, fio diamantado e outros métodos que não utilizam explosivos. O órgão informou, na ocasião, que notificou a empresa responsável para prestar esclarecimentos técnicos sobre a detonação.
Sobre o imóvel atingido, o departamento afirmou que a unidade já estava em processo de desapropriação devido a riscos estruturais identificados durante as obras de pavimentação e drenagem, além da proximidade com as estruturas de contenção da nova ponte. O órgão também informou que os demais imóveis atingidos passaram por vistoria e que os danos serão ressarcidos pela empresa responsável pela obra.